Muita gente fica confusa com as eleições do Vasco. Se já não bastassem as guerras políticas, a forma com que a eleição é realizada também embaraça a cabeça de quem não conhece muito o sistema político de São Januário. Tentamos esclarecer um pouco algumas dúvidas e mostrar para vocês como é possível em uma “disputa Brant x Eurico” eleger Campello.

A eleição do Vasco é dividida em duas partes:

A primeira foi realizada em 7 de novembro quando os sócios do clube foram às urnas. Esses sócios votam em chapas. Eurico Miranda, Júlio Brant e Fernando Horta eram os cabeças de suas chapas. A chapa primeira colocada nas urnas tem direito a escolher 120 conselheiros e a segunda, 30. Estes 150 se juntam aos membros natos para eleger o presidente em uma outra etapa da eleição. A eleição do Conselho.
Na eleição do Conselho, agora sim, as chapas indicam nomes para concorrer à presidência administrativa do clube. Sempre o cabeça da chapa vencedora nas urnas tornou-se o presidente na eleição do Conselho. Mas isso não é uma regra.

A confusão maior esse ano deu-se, pois, metade da chapa do Brant era composta por conselheiros indicados por Alexandre Campello, que até uma semana antes da votação nas urnas era candidato à presidência também. Mas Campello e Brant decidiram se juntar, pois, acreditavam que as chapas separadas não teriam votos suficientes para ganharem da chapa do Eurico.

Acontece que entre as duas votações (Urnas e Conselho) a chapa Brant/Campello se rompeu. Campello alegou que após a vitória em novembro, Júlio não tinha mais diálogo com ele, que fazia reuniões e tomava decisões sem o seu consentimento. Campello disse então que não faria mais parte da administração do Vasco junto com Brant, mas, sim, se candidataria nas eleições do Conselho para a presidência.

Nos bastidores já rolava uma negociação com o grupo de Eurico, que naquele momento já aceitava a derrota nas eleições. O grupo de Eurico não indicaria nenhum candidato à presidência do Clube e apoiaria a candidatura de Campello à presidência com os 30 votos de seus conselheiros além de tentar convencer os demais conselheiros natos a votarem contra Brant.

E assim aconteceu uma eleição inédita na história do Clube de Regatas Vasco da Gama.
Nem Brant, nem Eurico.

Campello!