Já não é de hoje que a tecnologia vem sendo testada no futebol para inibir erros que alterem um placar, quiçá um campeonato. Sejam com chips na bola, dois estagiários atrás do gol onde não pode questionar o chefe mesmo quando o erro é notório, ou o assunto do momento, árbitro de vídeo.

Tivemos uma votação com os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro para decidir ou não a implementação do especialista em Youtube nos jogos do campeonato. Decisão negada por 12 votos de “Não”, contra 7 a favor. O São Paulo, a exemplo do que tem feito com os títulos, se absteve. As justificativas foram muitas: “É muito caro!”, “Se for pra por só no segundo turno, então não quero!”, “Retarda muito a partida!”, “Na Europa tá dando problema!”, entre outras.

Vamos analisar uma a uma.

“É muito caro!” – Concordo que um gasto em torno de R$50 mil por jogo, somando R$1 milhão ao fim do campeonato é um valor alto para a maioria dos clubes brasileiros e que a CBF poderia sim, dividir ou montar uma projeto, para patrocinar tal tecnologia, mas será que esse valor não vale a pena para evitar um rebaixamento que pode render muito mais prejuízo aos cofres do clube, ou quem sabe decidir um título, que além do status de campeão, soma-se uma gorda quantia ao campeão.

“Se for só no segundo turno, então não quero!” – Mas se estão reclamando do dinheiro para um turno só, imagina pra dois. Além de que o VAR ainda está em fase de testes. Talvez um único turno seja a melhor maneira de ver se vai, ou não, funcionar.

“Retarda muito a partida!” – Então você prefere correr 90 minutos atrás de um resultado que pode ser conseguido de maneira irregular, do que voltar dois minutos para tomar a decisão correta?

“Na Europa tá dando problema!” – Sim. O árbitro de vídeo ainda não virou unanimidade e, como disse, está em fase de testes em todo o mundo. Vai dar problema, sim. Assim como o “árbitro de olho” dá também, e muito. E, por favor, se for pra tomar a Europa de base, que seja pra melhorar esse “futebol” que praticamos aqui no Brasil.

Algumas negativas me chamaram atenção. Me admira o Atlético-MG que culpa o Wright até hoje pela Libertadores de 81, ir contra a decisão. O Corinthians a gente pode até pular, assim como o Tinga pulou na área em 2005. E o Vasco, que no último campeonato brasileiro não teve nenhum pênalti marcado a seu favor.

Como um apaixonado por futebol me vem à cabeça também os lances marcantes que talvez não existissem se o VAR estivesse em vigor há tempos, como “La mano de Dios” do Maradona, o “pênalti” sofrido pelo Luizão na Copa de 2002, entre outros. Mas aí penso nos tais “Roubado é mais gostoso.” que temos que escutar, na mãozinha do Henry que tirou uma aguerrida Irlanda de uma Copa do Mundo.

Resumindo, acho que perdemos uma grande oportunidade de começar uma nova fase do futebol, onde os placares serão decididos na bola e não no apito e que os clubes que votaram contra, lembrem do que disse o desbocado Caio Ribeiro: “Essa lista a gente tem que anotar, porque na hora que eles forem prejudicados, eles não reclamem.”