Desisto. Confesso que desisto!
Não há pedagogia, credo ou matemática que explique. Depois de anos na docência e envolvido com atividades pedagógicas, confesso: eu desisto!

Há um mês venho tentando explicar aos meus amigos europeus o que é o campeonato carioca.
O desafio, Hercúlio, se dá inicialmente ao apresentar o conceito de campeonato Estadual.
Compreender que existem clubes suficientes para desenvolver um campeonato de qualidade não sendo de âmbito nacional é algo surreal para uma pessoa que goze de suas plenas faculdades cognitivas.

Pois bem… vestindo-me de coragem e acreditando, apresentei a ideia recorrendo aos contextos históricos, dizendo que em um passado – não tão distante, mas já falido – havia sim condições de encontrarmos cinco ou seis equipes que desenvolviam um futebol que movimentava e despertava interesse em cidades.

Até aí, o processo vinha funcionando. Pois quando abri para o campo dos questionamentos a coisa descambou para um ponto que nem Paulo Freire, Vygotsky e Piaget na retaguarda dariam jeito.

Taça Guanabara, Taça Rio, Campeonato Carioca…
(são três, mas na verdade é só um.)

– Como pode? Perguntou-me o amigo lusitano.

Então, meus amigos, não cabendo mais a pedagogia e valendo-me do clima da Páscoa, apelei para o campo religioso e citei a Santíssima Trindade.
(são três, mas na verdade é só um.)

Blasfêmia pesada, eu sei. Mas não tive outra saída e, por um breve momento, acreditei que ele entenderia.

A coisa ia bem, e eu já alimentava certa confiança, quando precisei abordar o tópico da matemática – disciplina que sempre me pareceu bruxaria em tempos de escola e que a FERJ, por ora, confirma minha sensação – que explica que o Flamengo, campeão da Taça Guanabara (ou seja, campeão de um Estado que não existe mais), que vale como 1º turno; somado ao Fluminense, campeão da Taça Rio (que seria o metropolitano, mas é disputado com as mesmas equipes da Guanabara – que não existe mais), que vale como 2º turno, se classificaram – devido à essas conquistas – para o quadrangular (que tem o nome de Campeonato) com outras duas equipes que não venceram nada…foi dose. Ninguém, com capacidade menor que Oswald Souza e Artur Avila seria capaz de atender tal instrução.

Desisto. Confesso que desisto!
Não há pedagogia, credo ou matemática que explique.
Depois de anos na docência e envolvido com atividades pedagógicas, confesso: eu desisto!