Terça-feira vimos um treino de mentira com estádio lotado de uma torcida de verdade. No dia seguinte, vimos um jogo de verdade com estádio vazio e um time de mentira.

A falta do canto rubro-negro vindo da arquibancada fez evidenciar ainda mais a apatia dos jogadores em campo. Um jogo de Libertadores, onde o espírito de raça deveria estar à flor da pele, quem mandou no jogo foi o silêncio. Um conformismo com a falta do resultado positivo já vem do vestiário antes mesmo do jogo começar. Chego a pensar que nem todos os que hoje vestem esse manto sequer ouviram o hino do clube, pois se tivessem ouvido, saberiam que “Vencer, vencer, vencer…” é o único pensamento possível quando se pisa no gramado.

Um time mimado pela diretoria, que sim, contribuiu muito para recolocar o Flamengo no seu lugar de sonho dos jogadores, de poder econômico e mercadológico condizente com seu tamanho, mas que em contraponto deixou de lado a verdadeira essência do clube, que é vestir aquela camisa e suar sangue se preciso for em busca da vitória a qualquer custo. E mesmo que ela não venha, a raça e a entrega sempre manterão a cabeça dos torcedores erguida no dia seguinte.

A notória falta de comando vem desde a diretoria, passando por cargos de coordenação até chegar à beira do campo, que ficou claro em uma substituição que ao sacar um Henrique Dourado e Éverton Ribeiro de campo, ambos passam direto pelo seu treinador, como se ali não houvesse ninguém, e de fato não há. Que me perdoe o Barbieri e desejo que tenha muito sucesso em sua carreira, mas o Flamengo e principalmente esse Flamengo, precisa conhecer um cuspe na cara de uma fala rústica, porém ríspida de um Joel Santana da vida e ter por quem jogar quando o tal “padrão de jogo” não funciona.

Enquanto qualquer Santa Fé não respeitar o vermelho e preto que outrora já faziam colombianos sentir as pernas fraquejar, não há santo que faça a torcida ter fé que esse time passará do cheirinho, e não um cheirinho de títulos, e sim um cheirinho de Flamengo. Falta muito para este “Flamengo” ser o Mengão, o Mais Querido do Brasil, e trazer de volta aquela vontade de cantar ao mundo inteiro, a alegria de ser rubro-negro.