Cria da Gávea, ídolo no Flamengo e Internazionale, jogador de seleção brasileira e atualmente aposentado. Nome de imperador, mas tal apelido ficou para outro com as mesmas descrições anteriores, Júlio César deixou o futebol neste último sábado da maneira mais que merecida.

Um Maracanã emocionado deu o último grito de “Ah, é Júlio César;” diante de mais uma atuação fantástica do arqueiro rubro-negro, dando fim a história de um dos maiores goleiros do último século. Após o apito final, a corriqueira entrevista sobre a importância dos 3 pontos, deu lugar as lágrimas do zagueiro Juan, que ao se despedir de um irmão que o futebol lhe deu, talvez também tenha vislumbrado seu futuro próximo.

Único goleiro brasileiro da história eleito melhor goleiro do mundo, sofreu duras críticas e será taxado por muitos “maldosos” como o goleiro do fatídico 7×1. Porém, isso nunca vai acontecer para a Nação Rubro-negra que sabe que além dos títulos, se ainda hoje bate no peito para ostentar o fato que nunca foi rebaixado, muito se deve as suas milagrosas defesas em 2001, 2002 e 2004. Nunca será só isso para os torcedores da Inter, que viram em Júlio César a segurança necessária para dar ao time a tríplice coroa da Europa e um Mundial em um dos últimos momentos de glória da equipe. E até mesmo para os que não tem memória curta quando se trata de seleção brasileira, e se recordam de atuações memoráveis do jogador na conquista da Copa América 2004, na Copa das Confederações de 2009 e 2013, e até na disputa por pênaltis contra o Chile no jogo que antecedeu o desastre no Mineirão contra a Alemanha, sendo eleito melhor jogador da partida.

Retrato do que é ser flamenguista, Júlio César sempre foi movido pelo coração. Coração esse que o fez levar a risca a frase do hino que diz “Nos FlaxFlus é um ai Jesus” e sair driblando até a intermediária adversária externando sua indignação e impotência diante de uma goleada de 4×0 para os rivais tricolores, contra o qual já havia defendido um pênalti em sua estreia nos profissionais aos 17 anos. Coração este que o fez doar um ar condicionado para o clube para receber o ídolo mor, Zico, em tempos bem diferentes da atual saúde financeira do clube. Coração este que o fez ligar para o Flamengo, e se oferecer para encerrar a carreira com um contrato simbólico de apenas três meses indo contra a vontade de sua esposa e de sua própria coluna.

Muito obrigado é pouco para expressar a gratidão e o privilégio de tê-lo tido como goleiro e ídolo do meu clube. Sempre estará no hall dos que mais honraram o manto sagrado.

Saudações Rubro-negras, Júlio César.