O dia 16/06/2018 será marcado como o dia em que o árbitro de vídeo deu as caras em jogos de Copa do Mundo. E não foi pouco não. Tivemos quatro jogos no dia e em metade deles o VAR foi decisivo. Vamos aos resumos detalhados das partidas:

FRANÇA X AUSTRÁLIA

O dia começou mais cedo para os amantes do futebol. 7h da manhã já estavam todos nos seus devidos lugares: França de um lado, Austrália de outro, torcedores nas arquibancadas da Arena Kazan e os telespectadores debaixo do edredom com a TV ligada.

Falando em TV ligada, a cabine do VAR também estava com seus monitores bem ativos e foram eles que fizeram a alegria dos franceses. Em jogada dentro da área envolvendo o Antoine “diga ao povo de Madrid que fico” Griezmann e o lateral australiano Rinsdon, o árbitro do jogo deixou o lance seguir, fazendo o tão famoso gesto de segue o lance como quem mede o órgão genital do Kid Bengala, mas pensou melhor e viu que poderia entrar para a história. Verificou a jogada no monitor, e “vua lá”! Pênalti para a França. O próprio Griezmann bateu e converteu o que foi a primeira intervenção tecnológica na história das Copas.

A vantagem não durou muito, pois curioso pra saber mais como funcionava a tal tecnologia, o zagueiro/pivô de basquete Umtiti, subiu para tentar dar o toco em um cruzamento australiano. Mesmo com lance tão descarado, o senhor do apito hesitou em assinalar a penalidade para o país dos cangurus. Precisou da reclamação australiana e da vozinha da cabine ao pé do ouvido para finalmente ter o pênalti marcado. E na cobrança, a tecnologia usada foi a chuteira Adidas X de Jedinak que cobrou o castigo máximo e deixou tudo igual no placar.

Faltava uma velha conhecida dos Les Bleus entrar em ação. Tentando evitar o tropeço, a equipe do croissant se lançava a frente e em uma estourada de Pogba com Behich, a pelota explodiu no travessão e cruzou a linha da meta. Porém, só foi confirmado o gol, graças ao relógio do baú que além de dar o resultado parcial da Tele Sena, sinaliza ao árbitro através de um chip na bola e um campo magnético no gol, que realmente a redonda cruzou completamente a linha de chegada.

Resultado: França 2×1 Austrália, mas com um futebol pouco convincente e ajudinha tecnológica.

ARGENTINA X ISLÂNDIA

A expectativa para esse jogo era enorme e por diversos fatores. Pelo lado da Argentina, todos queria ver a “resposta” de Messi a excepcional estreia de seu arquirrival Cristiano Ronaldo. Por outro lado, a queridinha do povo, Islândia, vinha para sua primeira Copa embalada por uma ótima eliminatórias e com apoio da sua torcida, que só no estádio já era quase 20% da população do país.

Com a bola rolando a primeira a ter chance clara de gol foi a Islândia. Após péssimo recuo de Rojo para Caballero, o filhote de Thor, Bjarnason, desperdiçou frente a frente com o goleiro. E como no futebol as velhas máximas se fazem valer. Quem não faz, leva. Em seu único chute certo no jogo, Aguero abriu o placar para os hermanos.

Não podemos dizer que o Messi não tentou ter uma estreia a altura de CR7, mas sua pontaria não estava naqueles dias e tinha pouca ajuda dos companheiros de time, que diga-se de passagem, ficou faltando muito nome bom nessa convocação aí em Seu Sampaoli.

Aproveitando a fragilidade defensiva da Argentina, coisa recorrente em Copas do Mundo, a Islândia achou que era hora de se aventurar no ataque e com o artilheiro Finn, chegou ao seu gol de empate. Primeiro gol do país em um Mundial para alegria das 99,6% das televisões ligadas em sua terra natal.

O resultado vinha sendo histórico e mais que satisfatório para os nórdicos, até que em lançamento de Messi, o zagueiro subiu em cima do Meza e o derrubou. Pênalti! E dessa vez à moda antiga, sem ajuda do VAR. Era o momento de “La Pulga” entrar em ação. Mas como nosso representante presente na Rússia, Tiago Villas Bôas previu, Messi perdeu o pênalti e cedeu material para o goleiro/cineasta, Halldórsson, fazer o seu próprio filme na Copa.

Começava o pesadelo argentino. Com seu charuto na boca – mesmo tendo visto o aviso de proibido fumar – Maradona se mostrava indignado e inquieto com a postura e fraqueza argentina. Nessa hora ficou evidente que nomes como Pastore, Lautaro Martínez, Icardi, entre outros, fizeram falta no elenco e só a vontade de Messi não bastava, e não bastou para furar a parede islandesa, que só faltou dar as mãos numa espécie de logo do Criança Esperança em frente a área pra evitar os ataques adversários.

Para alegria dos torcedores de zebras, Ronaldetes, e principalmente, brasileiros em geral, a Argentina começou tropeçando na amada Islândia.

PERU X DINAMARCA

36 anos e alguns chás depois, o Peru finalmente voltou a disputar a Copa do Mundo. Porém, não foi tão bem recebido de volta pelos dinamarqueses. Os top models de vermelho aproveitaram da falta de pontaria peruana para liquidar o jogo com placar mínimo.

O primeiro tempo foi praticamente dividido em domínio. O Peru começou com a bola e criando mais oportunidades com Carillo pela direita, mas sentindo falta de seu artilheiro, Paolo Guerrero, que começou a partida no banco de reservas. Após os 20 minutos a Dinamarca cansou de assistir e resolveu participar. Tomou conta da posse de bola e foi através da altura dos seus jogadores que conseguiram ameaçar o gol do Glu Glu.

20 minutos pra cada lado e os 5 minutos finais foi reservado para o astro do dia: o VAR. O São Paulino Cueva tomou um rapa de Poulsen na área, e mais uma vez o juiz não apitou na hora esperando pra conferir na telinha, e aí sim, marcar. Pênalti dedicado a torcida pelo camisa 10 peruano, já que jogou a bola na arquibancada.

Já sem as lágrimas no rosto, o meia voltou pro segundo tempo e teve ótima chance desperdiçada por tentar o passe ao invés do chute. Lance seguinte e é aquilo: A bola pune. Boa trama dinamarquesa e Poulsen, que poderia ter sido o patinho feio do time, virou o nome do jogo. 1×0 Dinamarca.

Precisou sair em desvantagem no placar para Guerrero ser chamado e finalmente entrar em campo, coisa que todos já estão Gareca de saber que não pode acontecer. Com seu jogador mais perigoso em campo, o Peru endureceu pra cima dos loirinhos e criava chance atrás de chance. A mais perigosa delas, veio em um calcanhar do centroavante rubro-negro, mostrando que jogar de costas é com ele mesmo. Mas não passou disso, fazendo Kasper Schmeichel bater o recorde do pai Peter Schmeichel de tempo sem ser vazado com as cores da seleção.

Vitória da Dinamarca e empate nos traumas. Perda de memória recente para o volante peruano Tapia, e costela fraturada para o dinamarquês Kvist.

CROÁCIA X NIGÉRIA

Estádio de Kaliningrado foi o palco para o último jogo do dia. Croácia e Nigéria fizeram um bom jogo vencido com tranquilidade pelos europeus, que lideram o grupo D.

Aquele friozinho na barriga inicial impediu os croatas de tirar o 10 na hora de concluir as jogadas de ataque. Aos poucos foram tranquilizando, um gole de whisky ali, um jazz ali, nada que não pudesse relaxar e desempenhar o bom futebol que esta já envelhecida geração croata, tem.

Boa técnica com a bola no chão, mas foi pelo alto que saiu o primeiro gol. Cobrança de escanteio, Rebic desviou, Mandzukic mergulhou e querendo brincar também, Etebo colocou contra a própria meta. No final do primeiro tempo os Águias Verdes até tentaram dar o bote, mas ficou sem presa.

A pausa para o intervalo parece que fez bem para os nigerianos e deu tela azul nos xadrezinhos. Enquanto os donos do uniforme mais bonito da Copa ameaçavam, principalmente com Moses, os donos do uniforme mais feio da Copa se trombavam sozinhos no estilo bug do PES.

Achando que poderia estar tendo algum tipo de problema com os adversários, Troost-Ekong deu um abraço carinhoso em Mandzukic dentro da área e, dessa vez sem VAR, o dono do uniforme mais anos 70 da Copa apitou penalidade máxima. E coroando sua ótima atuação, Modric bateu e fechou o placar.

Liderança, festa da torcida e uniforme completo do Rakitic para os torcedores que deixou o campo de cueca.