Aquele dia que você olha para o bolão e enche as lacunas de números grandes confiando que Portugal, Uruguai e Espanha não vão nem tomar conhecimento de Marrocos, Arábia Saudita e Irã. Acho que não foi bem isso que aconteceu…

PORTUGAL X MARROCOS

Um jogo em que a estrela do melhor do mundo brilhou mais uma vez, enquanto Portugal esteve completamente apagada durante os 90 minutos, acabou culminando naquelas injustiças do futebol e na primeira eliminação da Copa do Mundo 2018; a de Marrocos.

Quatro voltas no ponteiro foi o suficiente para Cristiano Ronaldo mostrar porque é decisivo. Cobrança de escanteio e cabeçada certeira. Placar aberto. Jogo fácil – diriam muitos – pois não foi.

A partir dali quem ameaçou e teve chance de ganhar a partida foi a seleção de Marrocos. Benatia tentou dar o troco em bola cruzada em escanteio e com empurrãozinho à lá Miranda mandou nas mãos de Rui Patrício. Começava ali a atuação decisiva do arqueiro português.

Entre faltas na barreira, chutes tortos até demais, e simulação digna de dar inveja a Neymar, CR7 via seu brilho diminuir e o empate ficando cada vez mais iminente. E ele só não veio porque Gordon Banks resolveu dar uma passadinha pela Rússia e incorporou em Rui Patrício para fazer, pra mim, a defesa mais bonita da Copa do Mundo. Dessa vez a cabeçada veio de Belhanda e como se assistisse a Copa de 1970, com um tapa pro alto, o gajo foi buscar após um quique no chão.

É, acho que foi a comprovação que hoje, esta meta não seria vazada. Bombardeio marroquino pra cima dos portugueses, mas a falta de pontaria aliada a boa exibição do goleiro impediu que igualassem o placar e, consequentemente, fossem eliminados do Mundial.

URUGUAI X ARÁBIA SAUDITA

Menos de 3×0 no bolão é pessimismo pra esse jogo. Um ataque com Cavani e Suárez não ia deixar passar a chance de fazer história contra uma frágil defesa saudita, que vinha de uma goleada por 5×0 para os donos da casa. Não foi bem assim.

O que vimos na realidade foi um jogo pouco emocionante, dando espaço pra lombeiras pós almoço tomar conta das pálpebras dos espectadores. Cavani herdou a falta de pontaria que assombrou “Luisito” na estreia da competição. Pontaria esta que faltou também ao goleiro saudita, ao sair catando borboleta na cobrança de escanteio, deixando o gol aberto e convidativo para Suárez se redimir e agradecer com o gol que lhe colocou como maior artilheiro Celeste da história e único a marcar em três edições do Mundial.

Os falcões verdes até tentaram e se esforçaram muito, mas a falta de intimidade com a redonda impediu que chegassem ao empate. Em contrapartida o Uruguai ficava mais perto do segundo gol, esbarrando mais uma vez em noite não muito inspirada nas finalizações.

Já que ninguém estava ajudando pra balançar mais uma vez as redes, o juizão decidiu dar por encerrada a partida e a participação da Arábia Saudita na competição. Com a vitória, Uruguai e Rússia se classificaram, deixando a última rodada para meras formalidades.

IRÃ X ESPANHA

Vem passeio por aí. A toda poderosa Espanha com seu futebol solidário para eles e egoísta com os adversários que ficam muito pouco com a bola, tinha pela frente o nada poderoso Irã, mas que passou a primeira rodada ostentando a frase “Segue o Líder!” para portugueses e espanhóis. Mas o clichê da rodada se repetiu. Só 1×0.

Como sempre o domínio foi totalmente da Fúria. Bola no pé praticamente o jogo todo, com 17 finalizações, mas sem furar a parede iraniana, que entrou em campo esperando o tic tac passar rápido para chegar no apito final sem alteração no placar.

Em raros momentos o Time do Povo até assustou, como no chute de Ansarifard que bateu no lado externo da rede. E como se não bastasse ser superior tecnicamente, a sorte também estava do lado da Espanha. Diego Costa tentou o drible no zagueiro que fez o corte, mas a bola voltou na canela do atacante e morreu, na até então bem defendida, meta iraniana. Era o fim da esperança.

Mesmo sabendo que não teria força pra reverter o resultado adverso, o Irã foi pro tudo ou nada e chegou até a empatar o jogo com o volante Ezatohali, mas estava em posição de impedimento, para desespero dos asiáticos e alívio dos europeus.

Em bela cobrança ensaiada de escanteio a Espanha quase ampliou, mas parou em confusão em cima da linha com chute pra tudo que é lado. Logo depois veio a última chance iraniana e um lance pro camisa 11, Amiri contar para as suas futuras gerações. Caneta maravilhosa no catalão Piqué e cruzamento na cabeça de Taremi que mandou por cima da meta. Última coisa relevante da partida, levando em consideração que dar uma cambalhota para bater lateral e nem arremessar a bola não é algo assim tão importante né, Mohammadi?