Pela segunda rodada do Grupo C e D, tivemos Poulsen da Dinamarca querendo ser o testador oficial do VAR na Copa, a França mandando o Peru de volta pra casa e a Croácia sobrando pra cima dos Hermanos.

DINAMARCA X AUSTRÁLIA

Se tinha alguém curioso pra ver como funcionava esse tal de VAR na Copa do Mundo esse alguém era o Yurary Poulsen da Dinamarca. Segundo jogo e segundo pênalti cometido e marcado com auxílio da tecnologia. E só não teremos a possibilidade de um terceiro porque está suspenso do próximo jogo.

Fetiches a parte, o jogo começou com a superioridade esperada pela Dinamarca e rapidamente se transformou em gol. O craque do time Eriksen, acertou um lindo chute de primeira e já abriu o placar com apenas seis minutos jogados. Detalhe para o fato de ter sentido uma pequena lesão ao deslizar de joelhos na comemoração.

Jorgensen teve a chance de ampliar, mas um leve torcicolo impediu de virar o pescoço para a direção do gol e acertar a cabeçada praticamente na pequena área. Foi aí que entrou em cena a sessão “Vale a pena ver de novo.” Se Poulsen cometeu dois pênaltis marcados pelo VAR, Jedinak converteu dois pênaltis marcados pelo VAR. Tudo igual no placar e na rotina desses dois jogadores.

A partir daí a superioridade mudou de lado e a pressão foi toda australiana. Kasper Schmeichel fez jus a sua certidão de nascimento, e com boas defesas impediu que o placar fosse alterado até o apito final.

FRANÇA X PERU

Não tão brilhante como se esperava, a França bateu o Peru em noites opostas para Mbappé e Guerrero. O mais jovem jogador francês a disputar uma Copa do Mundo e a marcar nela, Mbappé foi decisivo no placar e vem dando pinta que quer fazer mais história ainda neste Mundial. Já Guerrero foi embora aos prantos após batalhar tanto para vir a Rússia e descobrir que foi para um breve passeio.

Yotún foi quem começou tentando surpreender e do meio campo arriscou, mas com chute muito forte acabou não fazendo o “gol que o Pelé não fez”. Do lado francês, Griezmann errou feio de pé direito na primeira. Pogba passou perto com chute de fora da área, mas foi Varane que arrancou o “Uh” da torcida em cabeçada após cobrança de escanteio. Antoine tentou novamente com o mesmo pé e parou no goleiro peruano Gallese.

Vindo do banco no primeiro jogo, Guerrero desta vez começou no time titular e foi dos seus pés que saiu a primeira grande chance do time das piadas fáceis. Antecipação ao zagueiro e chute de esquerda para defesa de Lloris. Pogba deu lindo passe pra Mbappé tentar fazer uma pintura de calcanhar voador, mas acabou não pegando em cheio na bola e facilitando pro goleirão.

Foi aí que os destinos dos atacantes se cruzaram. Guerrero errou na saída de bola, perdeu para Paul Pogba que tocou para Giroud bater travado pelo zagueiro, permitindo a sobra limpa para Mbappé entrar na história.

Solto em campo, o prodígio francês incomodava demais os adversários e deu início a mais uma boa troca de passes que terminou em duas tentativas do lateral Lucas Hernández, mas que não passou de um susto. Susto que foi maior ainda quando Aquino acertou a trave da França com uma bomba de fora da área. Arma que foi usada várias vezes pela seleção peruana, devida a dificuldade de infiltrar na defesa adversária.

Fárfan ainda balançou as redes, mas pelo lado de fora. Dembelé assustou, Guerrero bateu falta fraquinha, mas foi Giroud que fechou as tentativas sem sucesso após boa arrancada. Fim de papo e mesmo sem as “tabelinhas dos negros maravilhosos”, como diria Luís Roberto, a França comprovou sua superioridade no Grupo e se classificou ao mandar os peruanos pra casa.

ARGENTINA X CROÁCIA

Se não temos muito o que falar de Messi nesta partida, sobra o que falar de Caballero. O problema é que não foi por um bom motivo. O goleiro tanto ensaiou o erro com os pés que fez “bonito” ao entregar de bandeja o primeiro gol para a Croácia. Que papelão!

Já no hino da Argentina se via que Lionel Messi estava com um nervosismo preocupante para os que esperavam dele o show da noite. A bola rolou e isso foi comprovado. Pouco produtivo e apagado viu a Croácia começar assustando com Perisic batendo cruzado para defesa de Caballero. O mais perto que “La Pulga” chegou do gol foi ao esticar ao pé para quase tocar na bola após lançamento de Enzo Pérez.

A Argentina parecia estar disposta a reverter a má fase. Meza parou no Lovren e Pérez parou na falta de pontaria para acertar um gol já sem goleiro. Dois minutos depois, Mandzukic se arrependeu de ter aparado o topete pegando um peixinho de raspão já na pequena área.

Chegou o momento! O dia que Caballero vai querer esquecer pra sempre. Após recuo de Mercado, o arqueiro argentino tentou devolver de primeira e só levantou a bola como um levantador de vôlei que prepara para aquele corte perfeito. E foi Rebic que cravou o ponto. De primeira acertou um lindo chute, sem deixar ela cair, e sacramentou a tormenta de Caballero, e por que não da própria seleção Argentina.

Com a vantagem no placar a seleção da toalha de mesa deixou a bola com os argentinos e armava o bote com cautela. Sampaoli encheu o time de atacantes com as entradas de Higuaín, Dybala e Pavón. Sem resultado. E pra quem esperava ver um camisa 10 brilhando hoje, Modric não decepcionou. Chamou Otamendi pra dançar e após balançar pra lá e pra cá, mandou uma bomba de fora da área e colocou o número par no placar. No Real x Barça do dia, deu Real.

Opa! Pera aí. Também não foi bem assim. Com certa rivalidade interna, o Rakitic não queria deixar a imagem do Barcelona em baixa e já que o seu amigo argentino não ajudava, ele tratou de começar o “troco” catalão com uma linda cobrança de falta que explodiu no travessão. E foi só um ensaio. Minutos depois, em bom contra-ataque da equipe croata, o meia bateu, Cabellero defendeu e no rebote Kosavic devolveu pra Rakitic fazer o terceiro da seleção e o primeiro do Barcelona, deixando tudo igual no El Clássico interno da Copa do Mundo.

Pouco se viu de Messi. Pouco se pode ver de Argentina. Se não ganhar da Nigéria e torcer para a Islândia não ganhar da Croácia, os herdeiros de Maradona podem voltar para suas madres mais cedo. Em contrapartida o tabuleiro de xadrez já se classificou e chega sem pressão pra terceira rodada da fase de grupos.