Envolvido pelo tema futebolístico, peguei-me essa semana analisando um sujeito completamente viciado nesses joguinhos eletrônicos de futebol. Até aí “xongas”, como dizia mamãe Angela.

Curioso foi quando me permiti puxar um assunto sobre futebol (o de verdade) com o sujeito e constatar que deste, ele nada sabia. E olha que vim por baixo, falando sobre Copa do Mundo, Messi, CR7 e Neymar. Assunto qual acreditava que qualquer ser humano sabedor que bola também se chuta entenderia no momento.

Ledo engano.

Lembrei-me de imediato dos tempos em que comecei a aprender de fato o que era futebol.
– Jogando? (Imaginam)
– Não.

Respondo:

Aprendi sobre futebol, esquemas, posições, estratégias de ataque e defesa com o velho e infelizmente não mais tão famoso, “Jogo de Botão”.
(Onde foi parar essa tradição?)

Botão era a máxima representatividade da paixão nacional. A começar pelo dito popular em clubes tradicionais que afirmam que craque se faz em casa.

No jogo de botão sim. Eram feitos em casa mesmo. Botões de blusa e shorts de uniforme colegial (sim, possuíam botões naquela época) tinham a característica necessária para assumir o comando no meio campo, benjamins e metades de ioiô formavam a zaga, caixas de fósforo OLHO e FIATLUX recheadas de arroz (pra dar o equilíbrio exigido) catavam no gol, fichas telefônicas (da TELERJ batiam com efeito) e chaveiros eram centroavantes matadores e os feitos de casca de coco eram próprios para os contra-ataques na ponta – posição extinta –, porém, estes eram necessários guardá-los em flanelas. (Era essa a regalia dos craques.)
“Dadinho é o c…!” A bola era feita de miolinho de pão congelado precisamente 1 hora antes da partida.

Seguia o aprendizado a reboque da criatividade e imaginação, desnecessária nos jogos de hoje.

A tradição era tanta, que botões de galalite e acrílico – modernidade da época – não eram bem vistos entre a rapaziada. Aquilo era coisa de “menino de play” – que também era coisa nova – que além de se renderem as tecnologias revolucionárias, soltavam pipas no ventilador e brincavam de piques dentro de casa.

As partidas aconteciam em qualquer lugar. O chão da casa encerado – rodeado de “pirus-de-fora” que teimavam em se manifestar contrariando o dito popular – sempre era o predileto.

Pois bem. O glorioso Botão agoniza e a passos largos cai no esquecimento junto com a necessidade criativa de uma adolescência acostumada a ver filmes em 3D, “jogar” futebol sem sair do sofá, ver filmes com heróis repaginados, de valores que me confundem entre quem é o mocinho e o vilão a cada cena e se maravilham com seres que, de certo não possuem nada para fazer no planeta deles e insistem em invadir a Terra sempre pelos Estados Unidos.
(Impressionante como todo E.T. tem inglês fluente.)

Juventude eletrônica, informatizada e cada vez mais sem o poder imaginário que fez uma geração rir de Mauricio de Souza, Trapalhões e se divertir esfolando dedos dos pés no asfalto lançando – ao melhor estilo Gerson – de trivela; e os da mão com o joguinho de “Teco” (ou “Preguinho”), jogado entre pregos e com moedas – as de 1 centavo de cruzado em 87 eram perfeitas – que exigiam tremenda perícia nos petelecos da garotada.

Mas em tempos que táticas estão online, imaginação e criatividade se vende (e se compra) e chegam via Sedex, o que mais podemos esperar dessa “gurizada”?

Para essa “garotada virtual”, a realidade exige muita coisa que infelizmente para eles no momento está Off-line.