Está bem. Você não viu ele jogar. Eu também não vi. Mas eu vi nos olhos dos meus tios, do meu pai, um brilho diferente quando se falava as palavras, “Pelé” e “futebol”, juntas na mesma frase.

Não importava o assunto ou a discussão. Pronunciar estas palavras juntas provocava um efeito mágico. A concordância era imediata, não importando a quantidade de pessoas envolvidas. Pelé foi, e ainda é o melhor.

Como é possível um jogador, uma pessoa, provocar um uníssono dentro de um esporte onde a divergência e a batalha são conceitos reverenciados? Só poderia ser atributo de alguém chamado de Rei.

Hoje, Edson Arantes do Nascimento completa seus 78 anos de idade, onde os anos que dedicou ao futebol, principalmente dentro das 4 linhas, o elevaram a condição de gênio, de mito, de único.

Mesmo que você não esteja na casa dos 60 anos para ter visto Pelé jogar, basta entender um pouco de matemática para desistir de comparações insanas com Maradona, Messi, ou qualquer Ronaldo. Jogando pelo Santos, conquistou o bicampeonato da Taça Libertadores da América (1962 e 1963), foi bicampeão Mundial de Interclubes (1962 e 1963), campeão da Taça de Prata (1968), cinco vezes campeão da Taça Brasil (1961, 62, 63, 64 e 65), quatro vezes campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Rio-São Paulo (1959. 1963,1964 e 1966). Tem 25 títulos de torneios no exterior, sendo Tricampeão mundial (1958, 1962 e 1970) pela seleção brasileira, bicampeão da Copa Rocca (1957 e 1963), e Campeão da Liga Americana – NASL (1977) pelo Cosmos. Marcou seu gol de número 500 com apenas 21 anos, marcou 1281 gols incontestáveis na carreira. E a maior contribuição da história do futebol, que é a mística em torno da camisa 10!

É isso! Todo mundo quer ser o 10 do time, e isso se deve ao rei. Se deve a Pelé. Uma camisa comum se tornou sinônimo de habilidade, de genialidade com a bola nos pés, e até hoje, culturalmente, o normal é só deixar o verdadeiro craque da equipe ficar com o número, se não dá briga.

Eu me lembro de uma conversa com um tio meu, daqueles que todo garoto tem, que ama de verdade o futebol, de parar domingo e ir no estádio. Eu perguntei pra ele por que o Pelé era considerado o melhor de todos os tempos. Ele me respondeu:
“O Pelé era muito bom em tudo. Em qualquer coisa ele era o segundo melhor. Ninguém driblava mais que o Garrincha, mas o segundo melhor era o Pelé. Ninguém batia falta melhor que o Didi, mas o segundo melhor era o Pelé. Ninguém era tão forte quanto o Vavá na trombada, mas o segundo era o Pelé. E o Pelé ainda tinha uma coisa, uma diferença… dava pra ver no jogo dele que ele queria ganhar. Ganhar sempre! Ele corria mais que todos os outros juntando fome de bola com a genialidade que só ele tinha.”

Daí pra esse dia eu me tornei fã de um jogador que nunca tinha visto. É um poder que somente o Rei do Futebol consegue usar com tanta maestria. Ele, como um verdadeiro rei, tornou-se mundialmente famoso falando com os pés. Seu futebol, além de impressionante, além de belo, era influente. Até hoje ainda é.

Falando, muitas vezes o craque cometeu equívocos. Não vou dizer a clássica frase dos pés pelas mãos porque, com os pés, ele operava milagres. Tanto é verdade que chegou a ser Ministro dos Esportes no Brasil. Tudo por causa dos pés.

Não vou encher sua paciência falando de tudo que ele podia fazer, de tudo que fez. Você provavelmente não viu ele jogar, e se viu, que inveja a minha! Só digo para a gente hoje, nesse 23 de Outubro, mandar uns parabéns bem formais em nosso pensamento pro último rei que o Brasil teve. O único rei unânime, e que, se fosse por ele, eu aceitava a monarquia de volta. É claro que eu estou me referindo ao Futebol.