Confesso que durante muito tempo eu fui um entusiasta e defensor da gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello no Flamengo. Porém, ao chegar no fim da sua “Era”, eu resolvi refletir, pesquisar, analisar e balancear o quão sucesso ele teve a frente do clube, levando em consideração todas as áreas de gestão, desde a financeira, que é sabidamente seu ponto forte, passando por estrutura e outros esportes, até chegar ao maior interesse dos torcedores, o futebol.

Vou tentar destrinchar de forma mais completa possível todo período que o Bandeira passou no comando do Flamengo para concluirmos se, como perdão do trocadilho, o Bandeira deverá ser hasteado ou ficará a meio mastro na história presidencial da Gávea.

Política

Torcedor declarado do Flamengo e ativo no clube desde 1978, seja como sócio proprietário ou membro do Conselho Administrativo, Eduardo Bandeira de Mello chegou à presidência após Wallim Vasconcelos ser impedido de concorrer para o cargo como representante da Chapa Azul, chapa esta que era composta por empresários que prometiam colocar o Flamengo nos eixos, através de uma boa gestão financeira e uma alternância de comando dentro da própria Chapa, garantindo assim um longo monopólio do grupo no poder.

Zico vinha como principal entusiasta da Chapa e possível comandante do futebol, o que sabemos que é quase um golpe baixo para qualquer concorrência ir contra o Deus dos rubro-negros. Dito e feito. Eleições disputadas e vencidas contra a atual presidente da época, Patrícia Amorim.

No comando, Bandeira tinha apoio de Rodolfo Landim, atual candidato da oposição nas eleições de 2018. Por essa informação vocês já devem ter percebido que algo não correu bem durante o mandato. Pois bem. Em 2015, houve uma ruptura da Chapa Azul após divergências de pensamentos e principalmente por Bandeira de Mello se negar a abdicar do poder e abrir espaço para outro presidente, conforme combinado no início do acordo.

Insatisfeito com tal situação, Wallim e Landim, encabeçaram a oposição para evitar a reeleição de Bandeira, que a essa altura gozava do apoio da nação, para dar seguimento ao modelo de gestão e desembocar na tão sonhada hegemonia de títulos que tudo indicava acontecer.

Presidente reeleito e foi o suficiente para confirmar que o poder já havia subido à cabeça. A partir dali tivemos inúmeros exemplos de que ele achava que era o Salvador da Pátria e podia tomar conta de tudo. Acumulou funções como a vice-presidência de futebol após a prisão de Flávio Godinho, bancou jogadores e técnicos quando todo o departamento e torcida já não tinham mais paciência com os mesmos, entre outras atitudes.

O lado político já abalado pela falta de títulos de expressão, foi levado ao limite quando Bandeira de Mello veio candidato à deputado federal pelo partido Rede, dividindo o foco das suas responsabilidades. O resultado? Não foi eleito e termina o seu mandato me dando motivo para escrever esse texto, e questionar o que tinha tudo pra ser inquestionável.

Treinadores

Em janeiro de 2013 deu-se início a “Era Bandeira”. Com Dorival Júnior, treinador ainda da gestão de Patrícia, o recém presidente já pedia paciência a torcida rubro-negra em relação a títulos, pois era um trabalho a longo prazo e não faria como outras gestões, que em busca do imediatismo da torcida, traziam nomes de pesos sem saber como pagar. Dorival permaneceu no cargo, mas na iminência do primeiro deslize ser motivo pra tirar a única coisa que ainda ligava as duas gestões. E isso se deu em 3 meses. Tempo semelhante ao que durou o seu sucessor, Jorginho, primeiro técnico escolhido por Bandeira e demitido logo no início do Campeonato Brasileiro após 14 partidas. Começava aí uma série de trocas que somou 14 técnicos ao longo dos dois triênios e curiosamente se encerra com o mesmo Dorival Júnior.

Entre 2013 e 2015 passaram 8 treinadores pelo clube. Além dos dois já citados; Mano Menezes (22J), Jayme de Almeida (51J e campeão da Copa do Brasil 2013), Ney Franco (7J), Luxemburgo (59J), Cristóvão Borges (18J) e Oswaldo de Oliveira (20J) estiveram no comando da equipe neste período. Claramente alguns nomes por pura falta de opção, evidenciando um dos erros de planejamento frequente do departamento de futebol do Flamengo.

Após a reeleição, Bandeira parece ter aprendido com o erro e decidiu investir em um nome forte, que poderia ter tempo e respaldo pra trabalhar mesmo com potenciais resultados negativos no caminho do trabalho. Muricy Ramalho foi o escolhido. Boa escolha, não fosse sua saúde fazê-lo se afastar dos gramados com apenas 26 jogos e deixar o Flamengo mais uma vez fora do rumo, caindo no colo do recém campeão da Copinha de 2016, Zé Ricardo.

A princípio interino, Zé Ricardo foi o treinador que ficou mais tempo no cargo, 89 jogos. Se firmou e foi efetivado ao levar o time para a disputa da Libertadores de 2017. Campeão carioca invicto, o que já não era grande coisa tendo em vista a distância de patamar que os outros grandes clubes cariocas se encontravam e se encontram do Flamengo, foi demitido em agosto – para muitos com certo atraso – por ter sido eliminado na fase de grupos da Libertadores e principalmente pela insistência em jogadores perseguidos pela torcida, mas protegidos por Bandeira, como Gabriel, Rafael Vaz e Márcio Araújo.

Uma nova tentativa de um trabalho duradouro e com costas largas foi iniciado com o colombiano Reinaldo Rueda (31J). Vice-campeão da Copa do Brasil e Copa Sulamericana com o Flamengo, poderia ter saído do cheirinho se não fosse a proposta para treinar a seleção chilena. Nesta situação faltou pulso ao presidente, que se mantinha crédulo na permanência do treinador quando todos já sabiam que Rueda iria aceitar a proposta, atrasando a escolha do seu substituto.

Carpegiani foi o escolhido para o ano seguinte já de uma forma confusa. O treinador campeão do mundo pelo clube em 81 viria como Coordenador de Futebol, mas o fracasso na busca pelo nome ideal para a beira do gramado, acabou fazendo ele assumir a função. Sem muita convicção na escolha a diretoria o mandou embora após fracasso no estadual, 17 jogos depois. Antes de voltarmos ao início com Dorival Júnior, tivemos a passagem do interino/estagiário da Body Tech, Maurício Barbieri. Ele conseguiu sua efetivação ao deixar o time na liderança do Brasileirão na pausa para a Copa do Mundo e a sua demissão por conseguir a façanha de ser eliminado para o pífio time do Corinthians na Copa do Brasil, após 39 preleções.

Eu diria que em 6 anos, muitos treinadores foram mal escolhidos e mantidos no cargo por tempo demais, quando todos já clamavam por uma mudança e os poucos acertos, foram interrompidos por questões imprevistas. Má gestão e azar lado a lado na escolha dos treinadores.

Finanças

Ponto alto da “Era Bandeira”. Se fosse só por isso certamente a bandeira estaria no alto do mastro, com muito orgulho e servindo de exemplo para todos os outros 19 clubes da Série A.

Bandeira assumiu o clube com R$ 750 milhões em dívidas, e hoje o entrega com algo em torno de R$ 350 milhões e descendo. Mudou o status de clube que não pagava – vale lembrar a famosa frase do Vampeta – para o clube que todos querem jogar e com alto poder de compra e venda no mercado.

O clube aderiu ao ProFut, e renegociou dívidas fiscais e tributárias. Renegociou também dívidas bancárias e trabalhistas, como por exemplo, a dívida com Romário, onde pagou R$ 4,2 milhôes e diluiu o restante em parcelas de R$ 160 mil até 2022; e também com Ronaldinho, que ao invés de receber R$ 40 milhões cobrados no mandato de Patrícia, chegou ao valor de R$ 17 milhões após acordo.

Uma das grandes novidades que resultou em acréscimo financeiro, foi a alternância de patrocinadores master e alto número de patrocinadores, chegando a 30, com diversos tamanhos e uma grande valorização da “marca” Flamengo. Além claro, da venda por altas cifras dos jovens Vinícius Júnior e Lucas Paquetá ao Real Madrid e Milan, respectivamente.

Hoje o Clube de Regatas do Flamengo fatura aproximadamente R$ 600 milhões anuais, enquanto em 2012 esse número era de R$ 250 milhões, o que permite não atrasar mais salários desde 2013, se dando ao luxo de ter uma das maiores folhas salariais do Brasil atraindo nomes de prestígio do mundo da bola.

Com certeza uma resultado de excelência nesse quesito. Entretanto, a reflexão que deixo para vocês é: Será que isso tudo é somente mérito do Bandeira e de sua equipe, ou se lá atrás a tal alternância de poder da Chapa Azul tivesse sido mantida isso ainda teria acontecido e talvez com mais resultados positivos em relação ao lado esportivo?

Estrutura

Outro ponto positivo da gestão é o legado que fica para futuras administrações.
Recentemente o clube inaugurou o mais moderno CT da América do Sul, o Ninho do Urubu. Com custo mensal de R$ 1,6 milhão, as instalações impressionam. A área total é de 5.000m² divididas em dois pavimentos. São 42 suítes, salas de preparação física, 14 banheiras de hidroterapia, piscina, nutrição, fisiologia, departamento médico, varandas de observação, dois auditórios para 50 pessoas, praça de convívio, refeitório para 70 pessoas, vestiário e rouparia. Para tamanha maestria, nada mais apropriado do que um busto do Maestro Júnior e de Zico na recepção do local.

O novo módulo terá captação de energia solar. A casinha que a base ficava se tornará estacionamento e os sete campos, ainda em fase de nivelamento, serão usados a partir de janeiro. O antigo módulo inaugurado em 2016 será usado pelas categorias de base.

Fora o futebol, hoje o Flamengo conta com as melhores piscinas do país para a equipe de natação, além do alto nível do basquete do clube, onde viveu uma hegemonia com 4 títulos seguidos do NBB, de 2013 à 2016, além da Liga das Américas e Mundial Interclubes  em 2014. Vale ressaltar também a criação do departamento de eSports no clube, atraindo “players” do mundo todo e se tornando potência, rapidamente, no cenário nacional.

Com certeza, gostando ou não, temos que reconhecer que tudo que virá pela frente ficará com o gostinho de “se não fosse eu…”, dado pelo atual gestor.

Contratações

Em todo tempo a frente do clube, Eduardo Bandeira de Mello deu boas vindas a 71 contratações. Alguns nomes festejados e outros nem tanto. Jogadores dignos de AeroFla e outros que nem entraram em campo.

Paulo Pelaipe, Felipe Ximenes, Rodrigo Caetano e o atual, Carlos Noval, participaram deste processo como executivos de futebol. Wallim Vasconcelos, Alexandre Wrobel, Flávio Godinho e Ricardo Lomba como vice-presidentes, e os CEOs Fred Luz e e Bruno Spindel.

Em 2013, foram 12 caras novas chegando à Gávea. Com a mentalidade de corte de gastos e conformado com um ano sem título, o Flamengo teve em nomes como André Santos, Chicão, Elias, Marcelo Moreno e Carlos Eduardo, a esperança de um bom ano, este último inclusive, chegava com pinta de cereja do bolo, o que não chegou nem perto de acontecer. Elias foi quem honrou este rótulo, sendo peça chave na improvável conquista da Copa do Brasil deste ano, que viria a se tornar o único título nacional da gestão Bandeira.

Outros que chegaram e alternaram altos e baixos, foram o zagueiro Wallace, João Paulo, Gabriel e Paulinho. Sim, estão faltando 3 nomes, porém falta nenhuma fariam se não fossem citados: Val, Diego Silva e Bruninho.

2014 chegou e com ele mais 14 contratações. Nomes como Elano, Canteros, Eduardo da Silva e a volta de Everton eram festejados como uma melhora de qualidade ao plantel rubro-negro. Diria que destes, só Everton fez valer, novamente, sua passagem pela Gávea. Alecsandro teve bom momento no clube, mas nunca foi unanimidade. Márcio Araújo é nome impronunciável no cenário atual. As frustrações ficaram por conta do lateral Léo, que vinha de boa temporada pelo Atlético-PR, pelo equatoriano Erazo, e principalmente pelo meia Lucas Mugni. Completam essa lista nomes como, Marcelo, Anderson Pico, Feijão, Élton e Arthur.

2015 e 2016 foram os anos em que a diretoria mais contratou. 15 por ano. Nomes que integram o elenco até hoje vieram nestes anos. Réver, Pará, Rodinei, Juan, Arão, Cuéllar e Diego, estão entre eles.
O atual capitão veio por empréstimo do Internacional e acabou recuperando seu bom futebol e liderança no Flamengo, porém chega ao final do mandato com a imagem desgastada e marcada pelo tal “conformismo” com a derrota que define o atual elenco. Diego chegou com muita festa e recepção no aeroporto, e justificou tal carinho com ótimas atuações que lhe renderam uma nova convocação para a seleção brasileira. O meia, porém vive momento de indefinição sobre a renovação de contrato que acaba no meio de 2019, também marcado como líder de um ciclo perdedor. Pará e Rodinei nunca foram unanimidades e desde que chegaram vivem disputando posição entre eles, mas sem qualquer tipo de preferência por parte da torcida, que mesmo que não assumindo, sente aquela saudade do veterano Léo Moura.

Juan mostrou a classe de sempre, enquanto o corpo lhe permitiu. O veterano zagueiro encerra sua carreira ao fim do estadual de 2019, dando fim a uma bela história no clube. Arão foi do céu ao inferno com a camisa rubro-negra. Chegou a seleção e foi ao banco de reservas. Seu auge, marcado pela boa presença ofensiva como elemento surpresa, contrapôs a falta de vontade e sonolência no momento que o fez ser preterido e assumir o atual status de moeda de troca ou jogador negociável mesmo terminando o ano como titular. Cuéllar é o único desta lista que vive lua-de-mel com a torcida. Sempre visto como bom jogador, foi durante muito tempo preterido pelo – vá entender – xodó dos treinadores, Márcio Araújo. Com a chegada de Carpegiani, o colombiano ganhou a posição como único volante do time e de lá pra cá é jogador chave no esquema do Flamengo, estando concorrendo a Craque da Galera neste ano de 2018.

Nestes anos também vieram pra Gávea: Ayrton, Armero, Thallyson, Bressan, César Martins, Arthur Maia, Ederson, Almir, Kayke, Sheik, Chiquinho, Arthur Henrique, Donatti, Antônio Carlos, Mancuello, Fernandinho e Leandro Damião. Alguns até poderiam ser bons nomes se estivessem rendido o que se esperavam deles. Destaque relevante pra passagens de Guerrero, Jonas e Alan Patrick, e para as desastrosas vindas de Cirino, Muralha e Rafael Vaz.

A partir daí a política de contratação passou a priorizar a qualidade ao invés da quantidade. Já com dinheiro em caixa e saúde financeira regularizada, nomes como Diego Alves, Éverton Ribeiro, Rômulo, Conca e Geuvânio chegaram com pompa ao Ninho do Urubu em 2017. O volante ex-Vasco não teve sequer um lampejo de ser o jogador da época cruzmaltina. O meia argentino ficou menos tempo em campo do que a duração da festa na sua chegada ao aeroporto, apenas 27 minutos. Geuvânio encerra seu empréstimo esse ano e fica a sensação que a diretoria contratou o jogador do Santos de anos atrás, mas veio um coadjuvante de um time campeão da segunda divisão chinesa. O autêntico Made in China.

Completam as contratações o peruano Trauco, que quando chegou parecia que não ia fazer a nação sentir saudade de Jorge, que tinha ido para o Mônaco, mas se mostrou frágil defensivamente. Renê que veio para ser reserva acabou assumindo a titularidade e fez um ano bastante regular, apesar de ainda não ter a simpatia da torcida. E o zagueiro Rhodolfo, que se não fossem as constantes lesões, provavelmente estaria entre os titulares do time.

Na atual temporada foram menos jogadores e mais gastos. Júlio César veio com contrato simbólico para encerrar a carreira “jogando” apenas o Campeonato Carioca. Marlos Moreno chegou com a grife de jogador do Manchester City, mas com o jejum de quase dois anos sem fazer um gol escrito nas letras miúdas do contrato. Henrique Dourado custou cerca de R$ 15 milhões aos cofres rubro-negros e veio para endossar a mística de que o Flamengo não deve contratar o artilheiro do Brasileiro do ano anterior. Uribe chegou como desconhecido para o lugar de Guerrero e só começou a se apresentar na reta final, juntamente com a chegada de Dorival. Piris da Motta é reserva de Cuéllar, mas deixa a sensação de que podemos ficar tranquilos caso ele precise entrar em campo. Finalmente a grande contratação do ano, o jogador de 10 milhões de euros, Vitinho. Ainda é cedo pra avaliar, pois chega com a temporada em andamento, mas vai precisar mostrar muito mais do que vem mostrando para justificar o montante gasto e o recorde de contratação mais cara da história do clube.

Falados todos esses nomes e adendos eu me questiono: “Bons nomes que não vingaram ou oportunidades de mercado que se tivessem sido melhores estudadas poderiam ter deixado esse número bem abaixo dos 71 e quem sabe até ter colocado nomes mais agradáveis nesta lista?”

Futebol

Finalmente o calcanhar de aquiles desta administração, o futebol.

Em uma gestão de 6 anos, onde se disputou 21 competições e se conquistou apenas 3 títulos, podemos chamar de vitoriosa? Acho que não!

Vale ressaltar que destes 3, só um foi de âmbito nacional, a Copa do Brasil de 2013. Um ano em que o padrão de elenco, finanças, estrutura e principalmente, cobrança, estava longe do atual foi o mais positivo até então. Os cariocas de 2014 e 2017 completam esta lista escassa. Muito pouco para um elenco que custa R$ 7,5 milhões mensais em salários.

Tudo bem, podemos ver o copo meio cheio. Claro que todo flamenguista prefere mil vezes ver o time brigando por títulos todo ano ao invés da incessante luta pelo rebaixamento de outras épocas. Mas, claro também, que todo flamenguista odeio ver o time perder a mística do “Se deixar o Flamengo chegar…” para dar lugar ao fantasma do “Cheirinho”.

Três vice campeonatos seriam até bons se não fossem as formas como aconteceram. A final da Sulamericana e da Copa do Brasil diante de Independiente e Cruzeiro, respectivamente, deixaram um gosto amargo e frustrante na torcida rubro-negra.

Eliminações vexatórias marcaram a gestão. A não classificação na fase de grupos da Libertadores de 2014, perdendo os dois jogos para o modesto León e a virada do Atlético Mineiro no Mineirão quando o Flamengo chegava para o jogo com a vantagem de 3×0 no placar na Copa do Brasil deste mesmo ano. Em 2016, perder para o Palestino em Cariacica, diante da sua torcida, dando adeus a Sul-americana. No ano seguinte, novamente a queda na fase de grupos da Libertadores, onde sequer empatou um jogo fora de casa, culminando na eliminação diante do San Lorenzo na última partida do grupo, quando já se tinha alto investimento no elenco. E por último, a já citada fraquejada diante de um dos piores Corinthians que eu vi jogar nos últimos anos, nos dois jogos da semifinal da Copa do Brasil deste ano.

Pelo tamanho dos parágrafos das conquistas e dos vexames dá pra se ter ideia do que pesou mais dentro de campo. Uma mentalidade perdedora e uma falta de incômodo com as derrotas eram passadas quase que por osmose das declarações do presidente para a dos jogadores, na maioria das vezes Réver e Diego eram os encarregados de explicar o inexplicável.

De certo que o Flamengo está no caminho certo para as conquistas, na verdade já passou do tempo. Por isso, é muito visível que a mudança de postura que as novas presidências tem que ter pode ser o único, porém grande ponto fraco do legado que a atual gestão deixa para o clube.

Após essa longa análise eu concluo que se o Eduardo Bandeira de Mello tivesse se contentado em ser o brilhante administrador que sempre foi, e não ter se achado auto suficiente para acumular funções e ser o “dono” do futebol do clube, e delegado essa função para quem realmente entende, não teríamos insistência com treinadores e jogadores que claramente não tinham mais espaço na equipe. Não ficaríamos achando que os laterais não são problemas e que tudo não passa de perseguição da torcida. Não comemoraríamos de forma vergonhosa um sexto lugar no Campeonato Brasileiro e uma classificação no último minuto para a Libertadores, quando se tem um dos maiores investimentos do país como se fosse um título. Se isso tudo fosse evitado por um ego um pouco menor, muito provavelmente hoje eu estaria escrevendo um texto sobre o hepta campeonato brasileiro do Flamengo.