O futebol carioca inicia o ano de 2019 com os quatro grandes protagonizando mudanças e manutenções em seu comando técnico.

Vamos iniciar pelas manutenções:

Zé Ricardo e Botafogo – Depois de ter passado por outros dois grandes do Rio (Flamengo e Vasco), tem a missão bem indigesta de mais uma vez criar um Botafogo brigador, simples, porém eficiente. Não vai ser fácil visto que perdeu dois titulares importantes nas últimas temporadas (Lindoso e Igor Rabello) e as contratações não foram nada animadoras.

Para renovar fez um pacto com a direção que não haveria mais atrasos de salário (pacto complicado esse, hein?) e aliado aos dois primeiros jogos da estreia no Carioca com uma derrota e um empate para Cabofriense e Bangu, respectivamente, e com um clássico com o milionário e reforçadíssimo Flamengo no domingo, digamos que já possamos ter o primeiro técnico começando a ter o trabalho questionado ou a torcida entenderá o momento atual do time? Seria a primeira vítima do Cariocão?

Alberto Valentim e Vasco – Depois da salvação do rebaixamento na última rodada do Brasileirão no ano passado e com bastante questionamentos da torcida, Alberto ganhou uma sobrevida para iniciar 2019 ainda como técnico do Vasco.

Mesmo com orçamento reduzido e com grave crise financeira, o cruzmaltino conseguiu manter os pilares do seu time e usando criatividade e oportunidades de mercado fez contratações que podem ser úteis ao longo da temporada, apesar da “tara” incontrolável do Vasco de Valentim em contratar volantes.

Visto pelas duas primeiras rodadas, vitórias sobre Madureira e Volta Redonda esperamos para verificar o comportamento em clássicos, mas tem tudo para ter um primeiro semestre mais tranquilo e não sofrer tanto com a torcida.

Vamos para as novidades:

Abel braga e Flamengo – técnico experiente, vencedor e com larga bagagem nas costas para pressão. Ou seja, currículo mais que pronto para assumir o Flamengo versão 2019 com sua torcida impaciente e farta de fracassos e cheirinhos colecionados nos últimos anos.

A nova direção não vem poupando esforços e dinheiro para reforçar o elenco com jogadores badalados e caros. Que técnico não gostaria de assumir um time que contratou Arrascaeta, Gabigol, Bruno Henrique, Rodrigo Caio e já tem Rafinha apalavrado. Porém, a missão não é tão simples. Tornar o Flamengo o time da posse de bola e troca de passes, muitas vezes até ineficiente, num time mais vertical, de contra ataque e com muito jogo aéreo que é o estilo do Abelão, demandará tempo, entrosamento, paciência e escolhas corretas.

Não é a toa que os dois primeiros jogos foram bem abaixo. Vitória magra com um homem à mais e polêmica de arbitragem sobre o Bangu e empate com o Resende, que só valeu pelo golaço de Cristiano Dourado. Será que a torcida terá paciência com possíveis tropeços no Carioca? Com dois jogos seguidos de seca de Gabigol? Com uma partida ruim de Arrascaeta? Vamos aguardar…

Fernando Diniz e o Fluminense – ta aí talvez a maior incógnita deste início de ano. Um técnico que ganhou prestígio por sair da zona de conforto dos métodos de futebol impregnados no Brasil e resolveu ser um obsessivo pela posse de bola, a precisão, troca de passes e um crítico ferrenho do “chutão”. Alternando ótimos, bons, ruins e péssimos momentos nos últimos clubes que passou, recebeu desde a alcunha de Guardiola brasileiro à Professor Pardal inventado pela mídia.

Não será nada fácil desenvolver um trabalho num clube em uma das maiores crises financeiras e institucionais além do baixo nível técnico presente nos jogadores do seu elenco. Mas não há de se negar que coragem e força de vontade não vai faltar.

Após empate na “bacia das almas” no primeiro jogo contra o Volta redonda, Diniz encantou com total domínio do jogo na goleada diante do Americano. Se será “8 ou 80”, vamos aguardar!!!

E aí, o Cariocão 2019, que não serve pra quem ganha, mas deixa sequelas pra quem perde, quem será o primeiro técnico demitido?