Toda vez que o técnico da seleção brasileira faz uma convocação, temos pelo menos uma semana de discussões e debates de quem deveria ir, quem ficou de fora, quem não deveria vestir a amarelinha e a força de empresários na convocação.

Essa última convocação do Tite, obviamente, não está isenta disso. Mas observem como quase não falamos nem discutimos mais isso. Triste. É um sinal de que, diferente do que ocorria tempos atrás, não temos mais 150 opções de jogadores que representariam bem o Brasil com a bola nos pés. Hoje, de fato, temos uns 30 com sorte, outros dirão que menos de 23 opções. E as discussões quase morreram nessa época de vacas magras.

Segue aqui os selecionados do Brasil para dois amistosos. O primeiro dia 23 de março contra o poderoso e tradicional Panamá (risos), e o segundo com a perigosa e ameaçadora República Tcheca.

Goleiros: Alisson (Liverpool), Ederson (Manchester City) e Weverton (Palmeiras);
Defensores: Alex Sandro (Juventus), Daniel Alves (PSG), Danilo (Manchester City), Éder Militão (Porto); Filipe Luís (Atlético de Madrid), Marquinhos (PSG), Miranda (Inter de Milão) e Thiago Silva (PSG);
Meio-campistas: Allan (Napoli), Arthur (Barcelona), Casemiro (Real Madrid), Fabinho (Liverpool), Felipe Anderson (West Ham), Lucas Paquetá (Milan) e Philippe Coutinho (Barcelona);
Atacantes: Everton (Grêmio), Firmino (Liverpool), Gabriel Jesus (Manchester City), Richarlison (Everton) e Vinicius Junior (Real Madrid).

Não é minha intenção hoje falar sobre os adversários e suas qualificações para testes de uma seleção das mais tradicionais e vitoriosas. Futuramente falaremos dos planos estratégicos da CBF para preparar a seleção para os próximos torneios. Hoje, olhando a convocação, eu encontrei um assunto muito bom para se falar. Foquem nesses dois nomes: Vinicius Junior e Lucas Paquetá.

Os dois garotos, sim, ainda garotos, vieram para o futebol como crias do Flamengo, e hoje estão pedindo passagem em duas equipes das mais poderosas e tradicionais do mundo. Lucas Paquetá é um jogador com a classe do camisa 10, que tem faltado no futebol mundial e na seleção brasileira, apesar em menor escala. Além da habilidade e alegria do futebol, tem a clássica raça e sangue nos olhos pra marcar digna das exigências de vestir o manto do Flamengo. Estas características fazem de Paquetá um jogador que flutua entre todas as posições do meio-campo sem parar de demonstrar eficiência, o principal para o futebol moderno. Soma isso a capacidade de servir o ataque, a habilidade tradicional do craque brasileiro, e estar numa equipe de ponta do futebol europeu que você tem todas as explicações para a sua convocação.

Vinicius Junior segue a mesma história. É da geração seguinte a do Paquetá, sendo assim mais novo. Jogaram e brilharam juntos no Flamengo, e podem repetir o show na seleção. O garoto chegou ao Real Madrid sem todo aquele status de um craque pronto. Fez testes e apresentações na equipe B do clube espanhol, foi entrando em um jogo ou outro, e sempre que entrou, chegou comendo a bola. Raça, velocidade, habilidade, e pasmem, inclusive uma certa maturidade para escolher a jogada mais eficiente antes da mais complicada. A mídia espanhola o elogia todos os jogos e até nas derrotas do Real Madrid ele sai de campo elogiado, porque aquela raça de cria do Flamengo está lá, dentro de campo o tempo todo.

Vinicius é o mais novo dos convocados, e tem muito tempo que um garoto de 18 anos não é chamado para a seleção. Eu fico feliz, porque Paquetá e “Vini Jr” estão representando, talvez, um novo ciclo. Há outros jovens que, finalmente, estão demonstrando um futebol digno da seleção. Mas esses dois representam uma coisa forte. São garotos que vieram de uma das camisas mais pesadas do país, para vestir a camisa mais pesada do futebol mundial, a canarinho! E eles podem sim fazer bonito. Que venham várias bicicletas e “tomili goli!”

Eu sou vascaíno, mas como fã incorrigível do futebol e da seleção brasileira, eu só posso dizer:
– Obrigado Flamengo. Craque você faz em casa.