Coutinho. O sobrenome do Rei. Pelé Coutinho. Uma dupla. Um só. Alguns podem achar isso pejorativo, mas se tratando da comparação com o maior jogador de todos os tempos, eu vejo como um baita elogio. Muitas vezes só diferenciados porque o próprio colocava um esparadrapo no pulso para levar sua devida fama quando fizesse os gols e não só o demérito de quando Pelé perdia os seus.

14 anos de idade, muitos não sabem nem o que querem ser da vida, ou tem no futebol uma pura diversão. Pois, para este gênio, já tinha a responsabilidade de estrear entre os profissionais e o fez mostrando mais semelhanças com o Rei: camisa 10 nas costas, mesmo placar de 7×1 e o gol dele anotado na súmula. Que me perdoe o Romário, mas nascia ali o termo “gênio da grande área”.

Pelé já declarou que dentro da pequena área, Coutinho era melhor do que ele. Sua frieza era sobrenatural. O mais curioso é que a motivação de se especializar à jogar dentro da área, se deve ao fato de Coutinho ter um chute fraco para tentar remates de longa distância.

O que hoje em dia chamamos de 1-2, tabela, toque e passa, poderia ser simplesmente chamado de Pelé Coutinho. A facilidade com que trocavam passes e se achavam em campo era extraordinária. E não só com os pés. Tabelas de cabeça, peito e com a bola no alto eram comuns entre os dois. Comum também os adversários se irritarem com isso e esquecerem a bola para focar nas pernas dos dois atacantes.

Se atualmente somos impressionados com os números de Cristiano Ronaldo, que conta com 0,72 em médias de gols, Coutinho teve incríveis 0,77 de média, anotando 368 tentos em 457 partidas, só pelo Santos. Além dos seus 19 títulos.

Para muitos comentaristas e amantes do futebol é discutível convocar Vinicius Junior com apenas 18 anos de idade. O que diriam os mesmo, se naquela época, vissem Coutinho com 16 anos incompletos vistando a camisa canarinha? Na idade da revelação flamenguista, foi campeão mundial e só não foi o titular da seleção de 1962 por causa de uma lesão.

O segundo maior artilheiro da história do Santos atrás apenas de Pepe – já que como os mesmos dizem, Pelé não conta – Coutinho nunca perdeu para o maior rival, Corinthians, em 10 anos de Vila Belmiro.

O mesmo não pode-se dizer de nós, que perdemos este gênio nesta segunda-feira, 11 de março de 2019, para a diabetes. Uma carreira abreviada devido a problemas de saúde e dificuldade em manter o peso, deixou de abrilhantar os gramados aos 30 anos, e aos 75 vai fazer dupla com Deus, e dessa vez não o do futebol.

Descanse em paz, Antônio Wilson Honório, eterno Coutinho.