Após a classificação do Flamengo para a final do Campeonato Carioca, Abel Braga foi questionado mais uma vez sobre a não presença de Arrascaeta no time titular e a resposta foi a seguinte: “O que falta e não falta (para Arrascaeta ser titular) vai ficar sempre comigo. Só uma coisa que tem que ficar claro: o Flamengo é escalado de dentro para fora. Outra coisa que é bom saber: em um clube de futebol, o treinador não é só comandante de uma equipe, ele é gestor de uma equipe composta por homens, atletas de caráter”.

Confesso que não sou um dos que acham que o uruguaio tem que ser titular de qualquer forma, muito menos apoio a sua demissão. Gosto da escalação atual e vejo sim crescimento no Flamengo 2019 em comparação ao 2018, mas tenho pontos a ser questionados nos últimos jogos.

Expulsões seguidas por atitudes imaturas dos novos xodós rubro-negros, Bruno Henrique e Gabigol, não podem ser colocados na sua conta. A reincidência destas talvez sim. Tentar a vitória quando estava melhor em campo contra o Peñarol tirando um volante e colocando mais um ponta mudando o desenho tático do time não é um erro, mas não reagir ao fato de ter um jogador a menos perdendo, nitidamente, o controle da partida e que um empate aquela altura não seria nada mal, é sim um erro. Pior ainda é ter o direito a fazer três alterações e terminar com uma derrota, uma substituição pra fazer e a contratação mais cara da história do clube no banco. E não digo isso pensando que tem que escalar pelo que o jogador custou, mas sim pela importância e desenho da partida e o quanto ela “pedia” a entrada do Arrascaeta.

Ok. Apesar de ter ficado com muita raiva por mais uma vez o Flamengo complicar uma situação tranquila na Libertadores eu dou o crédito para o trabalho até aqui vinha sendo bem feito. Só que aí veio mais um Fla x Flu e a decisão de começar com Gabigol no banco. Vamos lá, Abel. Você realmente achou necessário esse teste em um jogo que poderia eliminar o time para um rival que nós mesmos recolocamos na competição tendo ainda quatro dias de treinos com o Uribe vestindo o colete de titular para pegar o frágil San José? Desnecessário.

O Flamengo foi superior durante grande parte da partida contra o Fluminense, só que algumas escolhes táticas me chamaram atenção negativamente no jogo. Bruno Henrique e Everton Ribeiro invertidos não resultaram no efeito esperado e isso foi notório, porém não resolvido.

“Antes do jogo com o Peñarol, tínhamos 18 jogos e uma derrota, em uma bola que perdemos e eles foram felizes. Não mudamos nada daquilo que achamos e temos a convicção do que temos como equipe.” Suas palavras, Abel. Se tinha tanta convicção, por que mudar os jogadores que mais estavam funcionando e ao lançar o Gabigol na partida o colocar pela direita, local onde seu único feito foi uma expulsão irresponsável? Não precisa responder, o campo já fez isso. Nas poucas vezes que ele pisou na área ele nos deu o empate e a classificação. Beijinho na testa e tudo pra ver se dá uma luz aí dentro, professor. Sem pressão, mas a essa altura o time já tinha subido de produção com a entrada do Arrascaeta. Ah, se pudessemos voltar no tempo.

Enfim, Abelão. Esse texto foi só pra alertar que, sim, o Flamengo ou qualquer clube deve ser escalado de dentro pra fora, mas não custa de vez em quando ouvir o mundo ao seu redor e principalmente ver a resposta dentro de campo para mudar algumas convicções. Já vimos um Márcio Araújo ser titular enquanto tínhamos Cuellár no banco de reservas. Vimos Rafael Vaz barrar inúmeros zagueiros. Perdemos título por insistir em Muralha e Thiago, enquanto o César assistia tudo sem sequer ser lembrado pelos treinadores. Esses são alguns exemplos recentes de que, o “de dentro pra fora” não deve deixar de ouvir o “de fora pra dentro”.