Recentemente a onda do “Estadual não vale nada” tomou conta das pessoas. Pois bem, eu discordo. E garanto que o Lisca, Alberto Valentim, Maurício Barbieri e outros irão concordar comigo.

Neste domingo vimos o Flamengo ser campeão carioca e o discurso da imprensa e até de alguns torcedores ser de “não fez mais do que a obrigação”. Vendo pelo ponto de vista econômico e a disparidade entre a qualidade dos plantéis atuais dos rivais cariocas, pode-se dizer que é verdade. Porém, vai lá em São Januário, em Laranjeiras ou General Severiano e fala que não adianta jogar contra o Flamengo atual porque vai perder. Duvido alguém levar isso a sério. Futebol se ganha no campo. 11 contra 11. Se um vale 70 milhões de reais e outro chegou de graça ao clube, é irrelevante no apito inicial onde a conta agora é o quanto suor cada um vai deixar em campo. Afinal, o que seria do futebol se os jogos fossem ganhos de véspera.

O Flamengo tinha sim o melhor elenco do Campeonato Carioca, mas eu transformaria a palavra “obrigação” em “dever”. Por tudo que aconteceu até agora e fatores de dentro do clube, o rubro-negro tinha o dever de levantar essa taça.

Dez meninos perderam sua vida no início do ano pelas cores desse time. Se algo deveria desequilibrar mais do que o valor do elenco, é o fato do Flamengo jogar todo jogo com 21 atletas em campo. Isso sim é superioridade.

A taça foi levantada e dedicada a um ídolo que se despede. Juan. O zagueiro de seleção brasileira, disputou Copa do Mundo e que nunca escondeu o sangue vermelho e preto por onde passou, merecia encerrar seu ciclo vitorioso com mais um troféu já com seus 40 anos. E uma atitude digna da sua elegância dentro de campo, fazendo questão de chamar, Jonathan, o menino sobrevivente da tragédia do Ninho do Urubu para levantar a taça e tirar foto ao seu lado, nos faz enxergar a clara passagem de bastão e lembrar que todo ciclo que se fecha dá espaço para um novo começar.

Juan e Jonathan, atleta sobrevivente a tragédia do Ninho

O trigésimo quinto título carioca do Flamengo não é a maior conquista que a torcida, jogadores e diretoria querem nesse ano, mas não valer nada não é nem de longe a realidade. Cada um ali tem o seu porquê e a sua motivação para comemorar o esforço, que no fim, vale, e vale muito!