Desde Santos x Flamengo em 2011 o Campeonato Brasileiro não via um jogo tão emocionante como vimos em Grêmio x Fluminense hoje. Que jogo!

O roteiro foi muito parecido, exceto ao substituirmos Neymar por Everton Cebolinha e Ronaldinho por Yony Gonzalez. Que diferença!

Grêmio passeou nos 35 primeiros minutos de jogo, dando a impressão que os 3×0 que já apareciam com enorme facilidade no placar aumentaria ainda mais dali pro fim da partida.

Nesse momento coube a Fernando Diniz fechar os olhos por 30 segundos como quem pensasse: “E agora?”

Há tricolores que dirão que naquele momento ele estava se conectando com o elenco e telepaticamente dizia pro time: “Vamos que dá!”

E deu!

Na primeira jogada que o Fluminense conseguiu fazer de pé em pé como gosta o comandante, Yony Gonzalez completa um chute mal dado de Luciano e começa a reação carioca. No minuto seguinte, bateu uma saudade do ex-time e o goleiro Júlio César deu de bandeja a esperança nos pés de Luciano, que roubou a bola e levou o time vivo pro intervalo.

Na volta ao gramado para os últimos 45 minutos, a postura dos tricolores eram distintas. O carioca acreditava e passava a ditar o ritmo de jogo, enquanto o gaúcho sentia o baque mas não abdicava de jogar.

Matheus Ferraz, que já tinha ensaiado duas vezes um gol de cabeça, não deixou passar a terceira chance. Bola na área, cabeçada de Luciano, defesa de Júlio César e no rebote o zagueiro colocou pra dentro. 3×3. Tudo igual – menos a moral.

O Grêmio começou a se desesperar e ao mesmo tempo não queria vender barato o que já parecera ser uma vitória certa. Chances de gols pros dois lados e os espectadores e amantes do futebol já agradeciam o que estavam vendo. Não sabiam que ainda viria mais.

O árbitro Raphael Klaus – um dos que menos usa o VAR – marcou um pênalti de Kannemann em cima de Matheus Ferraz. O argentino insistiu que não tinha feito nada e pedia para ver o vídeo. Pedido realizado e decisão mantida. Pedro que à essa altura já tinha dito ao treinador que o jogo estava bom pra ele entrar, foi para a cobrança e, diante de um velho conhecido, não desperdiçou. O impossível parecia estar acontecendo. De 3×0 à 3×4.

Quem disse que acabou?

Não parar de atacar é a principal característica dos dois treinadores envolvidos no duelo. Fluminense continuava buscando o jogo mesmo já tendo o que muitos não acreditavam, e o Grêmio que parou quando não devia, agora mesmo que não podia parar. E quem também não tava afim de sair de vilão era o Kannemann. Autor do pênalti, e autor do novo empate. 4×4.

Só que dependia de outro gringo.
E poderia até ser de Petkovic que na transmissão dizia que quem fizesse o quinto gol levava. Dito e feito. Se um gringo disse, o outro fez. Autor do primeiro gol da reação carioca foi também o da virada. Yony Gonzalez, já no fim da partida teve um chute desviado e matou não só o arqueiro adversário, mas também os torcedores do Grêmio. Atônitos e incrédulos, viram o time sair mais uma vez de campo sem ganhar no Campeonato Brasileiro.

Em mais um jogo histórico, mais uma vez os cariocas mostraram como virar uma partida. Vasco em 2000, Flamengo em 2011, e agora Fluminense 2019.

Ganhou o Fluminense, ganhou o futebol, ganhou a proposta de jogo de Fernando Diniz, que mesmo com material humano longe do ideal para o que quer implementar, mostrou que é possível jogar futebol, e se tomar gol é um problema, a solução é fazer mais.

O futebol agradece!