Dentre tantas coisas curiosas e mágicas do futebol, habita uma força que transcende o tempo e os limites das quatro linhas. Muitas vezes espetáculos não tão grandiosos se eternizam, justamente pela participação e entusiasmo dos espectadores.

Por vezes, quem rouba o protagonismo é exatamente aqueles que assumem o risco da desilusão e tomam pra si a luta de quem entra no campo de batalha. Isto é mágico. Raro. E talvez, essa magia esteja na própria raridade. O problema é quando esse fenômeno assume posturas de rotina e constrói um público que perde o hábito e a capacidade de apreciar qualidade. Um público que entende, a todo momento, ser ele a razão de tudo existir.

A torcida do Flamengo, me parece, um bom exemplo disso.
Sempre quererendo protagonismo da temporada, não raro, acaba por atrapalhar o espetáculo. Não aceita e não sabe ser espectadora, mostrando a cada temporada ser incapaz de admirar o próprio time.

O glorioso Flamengo da década de 80 – jaz em uma memória construída a partir de uma seleção de três meses de bola – era criticado demais e passou a ser visto como fantástico quando a torcida se fez protagonista em uma final contra o Vasco.

Outro exemplo claro desse movimento, foi a conquista da Copa do Brasil de 2006. Um time fraco que a torcida inventou e fez acreditar ser capaz de grandes conquistas. Cantou que o Obina era melhor que o Eto’o, que o Léo Moura era seleção e, por fim, eles, os jogadores, acreditaram e deu em título.

Em pé: Obina, Fernando, Getúlio, Renato Augusto, Rodrigo Arroz e Diego;
Agachados: Peralta, Juan, Vinicius Pacheco, André Lima, Renato Silva, Toró, Marcelinho, Renato Abreu, Léo Moura e Luizão.

Me impressiona o outro lado dessa moeda. A capacidade de destruir projetos e trabalhos.

Os últimos se deram pelo “cheirinho” e pelo “segue o líder”. Dois títulos que se a torcida deixasse o Flamengo (jogadores) trabalhar com tranquilidade, levava sem maiores dificuldades.

Agora foi o “Fora, Abel!”. 
E segue a torcida rezando para uma mau fadada Copa América para gritar “Tite no Mengão!”. (Sabe-se lá até quando!?)

Uma torcida que vive a ilusão da descoberta de um novo Zico a cada nova temporada da “Copinha” , de uma incrível “Sele-Fla” que, por mais que a diretoria com, esforço e trabalho, construa um elenco caro e digno de vestir a rubro-negra com qualidade compatível com o que se sonha e se acredita ser, jamais terá seu aval se não for ela, a torcida, a grande protagonista de cada jogo!