“Depois da tempestade vem a bonança.” Talvez essa seja a citação popular que o Neymar não conhece. Há tempos não vemos uma fase tranquila na vida do atleta/celebridade. Quando não é dentro de campo, é fora, e ultimamente mais fora do que dentro.

Acostumado a ter tudo e todos cuidando da vida dele desde que era menino, Neymar não aprendeu a deixar de ser esse “menino” mesmo já com seus 27 anos. Talvez o “complemento” do seu nome diga muita coisa: Jr. Seu pai vem querendo viver a vida do filho como se fosse sua e o impede de fazê-la. Sempre tomando decisões no seu lugar – e a maioria de forma espalhafatosa – Neymar “Pai” transformou o nosso mais talentoso jogador da atualidade no monstro que outrora previa Renê Simões.

Com o mundo nos ombros e dinheiro saindo pelas tabelas desde sua infância, o menino Ney cresceu – se é que isso já aconteceu – decidindo dentro de campo e não decidindo nada fora dele. O problema foi quando o primeiro parou de acontecer e o segundo tomou conta do seu nome no noticiário. As manchetes “Com show de Neymar…” foram substituídas por “Casal Brumar…”, “Em carnaval do Rio…”, “Neymar é visto com…”, e por último a mais problemática da sua carreira, “Acusado de estupro, Neymar…”.

A partir de tamanha bomba mais uma decisão no mínimo questionável tomada por seu staff veio à tona: Cometer um crime. Trocar o crime de estupro – que pode ou não ter acontecido – pelo crime de internet ao divulgar a conversa que teve com a acusadora, foi mais uma escolha baseada no fato de ser refém da sua imagem negativa perante o público e a obrigação de limpá-la primeiro com a grande massa do que propriamente com a justiça.

Não estou aqui para tomar partido, pois ao contrário do que já vem acontecendo, ele ainda não pode ser chamado de estuprador tanto quanto a menina não pode ser chamada de golpista. O fato é que não temos um Neymar apenas jogador há muito tempo.

Hoje a Seleção Brasileira gira em torno dele e é indiscutível apontá-lo como nosso maior talento e fator de desequilíbrio, o problema que sempre que foi preciso e necessário não o tivemos em campo, pelo menos não 100%.

No fatídico 7×1 os brasileiros se sensibilizaram com a sua lesão e a esperança – para os otimistas – estava nas pernas alegres de Bernard que nem de longe poderia ter carregado esse fardo. Na Copa do Mundo de 2018 recém recuperado de uma lesão no metatarso do pé direito, ele ficou abaixo das expectativas e uma mancha se alastrou pela sua imagem mundo à fora, a de cai-cai. No início do ano, nova lesão tratada pela doutora Anitta no Hospital da Marquês de Sapucaí. E agora na Copa América, seu pé direito de Aquiles o fez ser cortado em um momento que toda sua trajetória conturbada nos permite questionar: verdade ou jogada para tirá-lo da competição devido a pressão externa do caso de estupro?

Como a pergunta acima não pode ser respondida, nos cabe agora acompanhar os noticiários policiais para ver o desfecho da história, enquanto nos esportivos torcemos para que o técnico Tite relembre histórias que o futebol não nos cansa de contar e chame o novo menino Junior da vez, Vinícius.

Que Amarildo, Ronaldo e tantos outros refresquem a cabeça do seu Agenor para, quem sabe, nos proporcionar outro roteiro de título digno de ser eternizado na memória.