Não é de hoje que o Flamengo se apequena quando o assunto é Libertadores. Todo ano buscamos uma justificativa, culpados ou explicações para eliminações precoces ou vexatórias. Poderia listar aqui pra vocês, mas ocuparia alguns parágrafos, então vou me ater ao jogo de quarta-feira contra o Emelec.

Antes de chegar à vitória equatoriana, vou fazer uma breve análise sobre o curto trabalho do Jorge Jesus a frente do Flamengo.

O português chegou mostrando uma postura extremamente competitiva e profissional. Até correr ao lado dos atletas nos treinos foi assunto dos programas esportivos. O rodízio de atletas e adaptação do time a cada adversário é algo comum no velho continente, porém o Mister parece não ter entendido o momento da temporada que ele estava assumindo o Flamengo.

A realidade não era um jogo-treino com o Madureira, e sim, mata-matas que decidiriam a “vida” do rubro-negro no ano.

De cara adotou uma linha defensiva alta que foi “salva” pelo VAR, onde viu três gols sofridos serem anulados corretamente por impedimento. Após muito sofrimento, o 1×1 em Curitiba dava um ar que tudo seria mais fácil no Rio.

Entre um jogo e outro, o torcedor se encheu de esperança e viu o time “sobrar” diante de um regular Goiás, com uma goleada animadora por 6×1. Com destaque para a atuação mágica de Arrascaeta. O mesmo que saiu machucado no início do jogo da volta com o Athletico, e fez muita falta. Apesar da evolução, um novo empate no Maracanã deu origem a eliminação na Copa do Brasil com cobranças de pênaltis incompreensíveis até agora.

Após a eliminação, o time não passou de um empate com o Corinthians em São Paulo. E aí veio a tão esperada oitavas de final da Libertadores.

O que seria um Emelec diante do badalado elenco do Flamengo, que só aumentava suas estrelas com o acerto de Filipe Luís?

Ora, pois. Futebol não se ganha de véspera. É verdade que o time tinhas problemas como os desfalques de Arrascaeta e Everton Ribeiro – principais armadores do elenco – mas daí dar uma de Professor Pardal no jogo mais importante da temporada até aqui é pedir pra ser piada no dia seguinte… e de português, já é demais.

Rafinha não jogava no meio-campo havia três anos, e o deslocando para essa posição, além de tirar o seu melhor rendimento, ainda daria vaga ao – só Jesus agüenta – Rodinei. E como se isso já não bastasse, barrou o Cuéllar. Inventou!

O time entrou em campo sem guia turístico na primeira viagem, completamente perdido. Não demorou muito pra isso ser revertido no placar adverso com 1×0 para os donos da casa. A luz no fim do túnel veio com a expulsão de Vega. Jesus queimou todas as substituições no inicio da etapa final, com Cuellar na vaga de Arão e apostando nos inofensivos, Lincoln e Lucas Silva.

Cedo demais! Diego sofreu uma entrada criminosa que aos olhos do juiz não passou de um carinho desajeitado, e saiu de campo com o tornozelo fraturado. Sem alterações pra fazer, o rubro-negro viu a luz apagar com o fim da sua superioridade numérica.

Se o azar não fosse bastante, Lucas Silva, mostrou que poderia sim levar perigo… só que ao Flamengo. Com o time todo no ataque após um rebote de escanteio, preferiu um drible ao invés de um passe simples, e os equatorianos fizeram crescer bigode na cara do português ao fazer 2×0 em um contra-ataque eficiente e uma pitada de sorte.

Reverter o placar é impossível? Jamais!

Flamengo tem muito mais elenco e futebol que os equatorianos para virar esse jogo no Maracanã, porém não podemos negar que as adversidades são enormes.

A falta de um meia de criação nas ausências de Diego, Arrascaeta e Everton Ribeiro, faz o Mister coçar a cabeça e pensar no menino Reinier como coelho na cartola para tal situação. Por mais questionado que seja, não ter Vitinho é grave diante da falta de peças. Vale lembrar também que caso consiga pelo menos os 2×0 no Maracanã, o jogo irá para os pênaltis, então, por favor, TREINEM!

A nação estará com vocês e se não teremos os principais jogadores, teremos a principal torcida apoiando e acreditando até o apito final que será possível. Esqueçam a pressão do “cheirinho” e lembre-se que o “deixou chegar” sempre foi mais forte que qualquer odor.

Até quarta, e até as quartas!