A Greve parceiro mostra o desejo, a vontade, o tesão! O salário é antes de tudo um direito e não uma caridade. Portanto, saiu de casa, cumpriu o acordado, fez jus.

“Ain… mas fulano é ruim. Ciclano é pereba. Beltrano cruza mal.”

Quem contratou?

Esse sim merece cobrança e deve responder por contratações que oscilam entre o vexame e o milagre.

Prefiro a greve, do que o fingimento em campo, o corpo molenga e desinteressado. A corrida pra não chegar, o pé frouxo na dividida, o passe de lado displicente.

Covardia?

Não em General Severiano! O espírito indomável de Heleno não permite tais babaquices.

Quem faz greve tá vivo, em luta, querendo alguma coisa, aquele que nem o salário atrasado é capaz de incomodar é uma espécie de morto-vivo de chuteiras. Não defendo atrasos e calotes, isso nunca; mas não aceito o corpo mole como protesto.

Prefiro o silêncio na entrevista, a cara feia na hora do gol, o posicionamento público. O futebol morre pelas mãos dos cordiais corpos moles e sem sangue, não pelos calções sujos e greves por salários.

O Estado ainda é democrático! E o Botafogo de Futebol e Regatas, a casa de Afonsinho e do Manequinho, um local do livre pensar.

Se vão parar de falar com a imprensa, de concentrar, treinar; que o façam mostrando que dentro dos uniformes existem homens com brios.

Peitem juízes, dividam a bola, chutem a gol, falem aos quatro ventos os problemas, exijam, sejam abraçados pela torcida, mas nunca finjam jogar!

Todo ser humano que trabalha tem direito a greve, aquele que abandona o próprio trabalho, já deixou a si próprio.