Quarta o “Maraca” foi dormir feliz, mas não pelo placar e nem pelo jogão que foi, o “Maraca” foi dormir feliz porque ele reencontrou um velho amigo, reencontrou o primeiro campeão que ele viu na vida e, que por direito, escolheu o seu lado direito para se perpetuar na arquibancada, mas nos dias de hoje as pessoas não ligam muito para a história e desprezam as tradições do futebol.

O time sem estádio, que posou de “bonzinho” durante a semana e liberou todo o setor sul para a torcida do Vasco, e que falava em aproximadamente 20 mil ingressos pra torcida adversária, irozinava a venda de ingressos pro outro lado, mas não vendeu a meia-entrada, antes anunciada, para os sócios do rival. O vascaíno que quis ver o jogo teve que encarar 120 reais no ingresso na hora.

Mas o Vasco tem um grupo de torcedores que é mais fanático que qualquer outro do país. Esse grupo ignorou o ingresso caro, a dificuldade da troca de voucher de quem comprou pela internet, ignorou, principalmente, o esgoto despejado pela mídia durante meses e durante a semana do jogo que exaltava o time que ela mesma criou. Esse grupo de vascaínos são os que cantam com maior sinceridade a frase “Sempre ao teu lado”. Essa parte da torcida do Vasco é a que mobiliza os amigos, levanta a cabeça de cada um, não deixa – mesmo que os outros façam questão de não querer lembrar – que esqueçam quem é o Vasco, sua história e sua tradição. O vascaíno que foi na quarta-feira, sabia exatamente quem iria encontrar na arquibancada, pois são os mesmos fanáticos que, como ele, sempre estão nesse tipo de jogo.

Esse grupo, na quarta foi aproximadamente 4 mil contra os 48 mil deles, e cada vascaíno sabia da sua responsabilidade de cantar sozinho mais alto do que 12 do outro lado, mesmo que do lado deles tivessem bandeiras, baterias e tudo mais liberados pra quem um ano atrás quebrou o “Maraca” inteiro. Do nosso lado estavam torcidas punidas, sem instrumentos nenhum. A missão então parecia mais difícil, pois seria apenas no canto e palmas.

4 mil contra 48 mil.

Porém, esse grupo conseguiu fazer a diferença, pois tinha um instrumento que falta do outro lado, o coração! Esse coração que bateu forte em ritmo de música mesmo após levar um gol aos 40 segundos de jogo, esse coração tocou o mais alto e cada louco, que gritava por 12, soube levar essa batida do coração pra arquibancada no melhor ritmo, enquanto o outro lado se preocupava apenas com selfies, flashs e por quanto o time deles iria golear naquela noite. Esses loucos vascaínos fizeram questão de lembrar, aos que fazem questão de esquecer, que aqui é Vasco! Que, independente do jogador que está por baixo da camisa, ela continua sendo o Manto Sagrado, o único, o legítimo, aquele que tem a cruz como símbolo que é um sinal de benção, mas até isso hoje eles ignoram, e como ninguém liga pra história, chamam qualquer pano de jogar bola de “sagrado”.

Mostramos pra todo mundo que o Vasco quando joga como Vasco é imbatível, não importa se o adversário, que enriqueceu de maneira inexplicável, montou um elenco de mercenários bons de bola (que daqui a pouco vai se rachar), ou se o juíz não permitiu que os 4 mil saíssem do estádio mais felizes que os 48, mas sem entrar no mérito do jogo, quem diz que o vascaíno comemorou empate, não entende nada, absolutamente nada de futebol.

Na quarta, a tradição se fez presente e o “Maraca” dormiu feliz, pois depois de tanto tempo ele sentiu um coração bater e não uma foto, ele ouviu música de arquibancada e não da caixa de som, ele viu um jogo de futebol e não um evento, e ele mal pode esperar para reencontrar esses loucos seguidores fiéis do seu velho amigo de novo.