Um português chega ao Brasil e começa a mudar a forma de como as coisas eram feitas no país até então. Chega a dar o nome de sua chegada de “descobrimento”, sendo que muita coisa já existia por aqui, mesmo que de uma forma mais primitiva aos padrões europeus.

Claramente estou falando de Pedro Álvares Cabral em 1500, porém, eu poderia estar falando de Jorge Jesus em 2019. O técnico português chegou ao país do futebol, se é que ainda pode se chamar assim, para comandar o Flamengo, com a missão de fazer o time valer em campo o que valia fora dele.

O Mister, como é chamado pela torcida, foi alvo de desconfiança e até críticas por parte da imprensa antes mesmo de começar seu trabalho. Mas a resposta veio rápido. Primeiro jogo oficial e uma sonora goleada de 6×1 em cima do Goiás, no Maracanã. A partir daí, eliminação na Copa do Brasil, deslizes contra Bahia e Emelec, e só. Recordes atrás de recordes, e o mais importante: títulos!

Campeão Brasileiro e da Libertadores no mesmo ano, fez o Flamengo conquistar a mais valiosa Tríplice Coroa da história e com o Mundial ainda a se disputar. Há quem diga que a chegada do português, sua mentalidade vencedora e principalmente o fato de não precisar abrir mão de uma competição em prol de outra, escancarou o quanto os treinadores brasileiros estão ultrapassados ou acomodados, se apoiando sempre em três pontos com resultados magros e futebol feio. Pra não citar a velha desculpa de que precisa de tempo para o trabalho aparecer.

Tudo por água abaixo!

Jorge Jesus fez o rubro-negro carioca voar em pouquíssimo tempo à frente do clube, implementou uma ganância pela vitória a ponto dos jogadores reclamarem com a arbitragem por não ter dado acréscimos em um jogo que já estava 6×1 a seu favor. Ou seja, assim como há 519 anos, tinha-se matéria-prima para ser explorada – no sentido positivo da palavra.

Hoje, temos um clube sobrando no cenário nacional e subindo o sarrafo para os rivais em 2020. Uma nova filosofia de diretorias, treinadores e diretores em como contratar e planejar seu ano. Juntamente com Sampaoli, “JJ” fez o mercado se abrir para treinadores estrangeiros com um olhar mais otimista, ao contrário de outrora, e causar incômodo e inquietação nos treinadores nacionais.

Que o futebol já existia é verdade, assim como a Ilha de Vera-Cruz, mas um novo português chegou em nosso território para mudar um pouco a nossa história e mais uma vez explorar as nossas riquezas, só que dessa vez, quem sai ganhando somos nós.