Quando nasceu, Deus apontou pra ele e disse: “Esse é o cara.”
Eu acredito nessa frase. Ver Romário jogar era como ver obra de arte em movimento.

Antes de rasgar seda, atentemos para os fatos.

O “cara”, como ele mesmo se define de forma acertiva, é campeão desde o Olaria nas categorias de base até a Copa do Mundo. Aquela de 94 que quebrou o longo jejum de Copas como esse que vivemos hoje. Os prêmios individuais são tantos que juntos são mais premiações do que de alguns times grandes por aí. Colecionando Bola de Prata, Bola de Ouro, Melhor do Mundo (em 94, um ano com muito craque que jogava bonito disputando junto), na opinião e de muito especialista no futebol, Romário seria o melhor estrangeiro que já jogou na Holanda! Entra fácil na lista dos dez maiores jogadores da história do futebol, entenda isso, DO FUTEBOL! E eu me coloco, sem humildade nenhuma, pra concordar com essas listas. Onde eles falam de top 10, eu coloco até top 5.

Romário era um monstro.
A Copa de 94 foi a primeira que eu assisti. Naquela época o futebol vivia um momento mágico. Praticamente todo time tinha um craque, e eles cumpriam a vez de símbolo de suas equipes. A seleção brasileira não era vendida assim. Argentina tinha Maradona, Itália tinha Baggio, a Romênia, senhores, tinha um craque chamado Hagi. O Brasil era apresentado como um grupo onde todos eram iguais. Erro! Parreira fez e aconteceu nas eliminatórias demorando pra levar o baixinho, e ele chegou na Copa com cara de mordido. Jogou tudo que o diabo podia e não podia. Fez gol de bico, chute forte, oportunista, na explosão, na malandragem… Meteu uma cabeçada do alto de seus 1,67m entre um monte de suecos com condição de jogar vôlei, e só não meteu gol contra o States porque decidiu agradecer Bebeto com uma assistência daquelas. Foi o ano do baixinho, onde ele calou os críticos e impressionou a todos.

Foi a primeira Copa que eu vi, e Romário consolidou meu amor por futebol.
O cara era artilheiro nato. Todo campeonato ou torneio que participou, ele estava na artilharia. Com Romário escalado todo mundo sabia: teria gol! E além de artilheiro, Romário sempre demonstrou ter talentos na área da vidência. Diversas vezes contava dias antes o que faria em campo, chegava no gramado e fazia. Meus amigos brincavam que ele prometia. Eu os corrigia: “Romário não promete, ele avisa.”

Romário foi o maior goleador de diversas competições mais de trinta vezes! E o que é a maior catarse do futebol senão o gol? O gol é o momento! E nisso Romário nos fez ficar mal acostumado. Quem viu Romário tem um sarrafo muito alto pra elogiar atacante. É difícil comparar.

Como pessoa, sempre demonstrou temperamento forte. Diz o que pensa com poucos filtros, e como jogador não foi diferente. Mas nunca fugiu da responsabilidade dentro de campo.

“- Como vou aturar um mala igual a mim?”
Era a desculpa para nunca ter se interessado por ser treinador.
“- Se acontecer um resultado negativo, o culpado sou eu.”
O craque disse essa frase antes da Copa do Mundo de 94. Ele foi o bruto daquele time.

“- Vou fazer mil gols!”
Cumpriu!

“- O que eu posso falar para a torcida do Vasco é que, quando tiver Vasco x Flamengo, levem lenços para o Maracanã porque vão chorar muito.”
No retorno ao Brasil, no mesmo ano que foi eleito o melhor jogador do mundo para jogar no Flamengo, o Peixe teve a audácia de soltar essa provocação.

Quando conversas sobre futebol surgem, eu fico muito feliz de poder comentar com os mais novos sobre Romário com o mesmo encanto e empolgação que eu via no rosto dos mais velhos ao falar de Pelé, Tostão, Garrincha, Zico, Sócrates… Não quero saber. Apenas aceitem. Ver Romário jogar era melhor do que ver Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar… Eu não estou acusando nenhum deles de não serem bons, de não serem craques, nem que não é bom assistir um Barça x Juve hoje. Eu só estou contando pra vocês que Romário era diferente. Sintam saudade do que vocês não viveram e se aliviem no YouTube. Tem 10+ de Romário de tudo que é jeito.

Entendam uma coisa. Quando a bola chegava dentro da área, nunca na história do futebol alguém foi mais talentoso do que Romário de Souza Faria, o Peixe. Se ele era peixe, a área era o seu mar, e lá ele era o cara. Não fui eu que disse isso não, tá? Foi Deus, assim, com o dedo apontado.