Parôôôôu

Desta vez, infelizmente, não é um carro, idosos passando ou grávida com carrinho que passa para (cordialmente) interromper nossa pelada.
A razão, desta vez, também segue o princípio da humanidade, porém vem travestida de luta, medo e apreensão.

Há quem reclame e ache exagerado as interrupções causadas pelo coronavirus. Não se trata, amigos, de uma questão de opinião ou opção. Falamos aqui de cidadania, respeito, civilidade. Tanto ao que se espera ou sugere na atitude, quanto na ideia de preservação da mesma da nossa humanidade (se é que ela ainda existe).

A verdade é que estamos em guerra, meus caros. Os desportos sofreram isto em outras infelizes oportunidades. Assim foi na 2ª Guerra, em que os mundiais de futebol foram suspensos e só retornaram em 1950; assim foi em Olimpíadas, quando EUA e URSS boicotaram os jogos sediados por ambos em dois momentos. Isto para tratar, somente no âmbito mundial, tal como esta guerra que ora travamos.
Desta vez o inimigo não tem cara, é silencioso e invisível. Porém, nem por isso, deixa de ser tão mortal como todas as outras que se deu ao longo da história da humanidade.

Nunca a “concentração” foi tão necessária. Em casa, apreensivos e com o coração apertado, experimentamos um mundo sem o abraço do gol, sem a partilha nas arquibancadas, sem aquele olhar atento de paixão em frente a TV. Experimentamos um mundo de pouca graça, uma rua vazia, bares fechados, isolamento sem poesia, sem a beleza, mas com a certeza de que, assim como em outras guerras, venceremos e seguiremos…