Para início de conversa, se tratando de mundiais de clubes do começo do século XXI até a última final do torneio entre Liverpool x Flamengo, consta o placar de 15×4 para os europeus. Em Copas do Mundo o domínio europeu também é notório. Neste século os sul americanos só se sobressaíram na Copa de 2002, quando o Brasil levou para casa a taça. Desde lá são quatro Copas para os europeus. Já em Mundiais Sub-20, o parâmetro está bem mais equilibrado, com uma vantagem pequena para os sul americanos de 5×4.

Há alguns fatores que explicam essa supremacia recente no futebol dos europeus ao futebol sul americano. O poderio financeiro os ajudaram e os ajudam muito, além do ótimo trabalho de base desempenhado pelos seus clubes que nos ajudam a explicar tais feitos recentes do velho continente. Outro fator que acredito ser muito importante para esse distanciamento, tanto de clubes como o das seleções, é a carência de craques que nos sempre diferenciou dos demais. Argentina, Brasil, posso até dizer o Uruguai, sempre foram recheados de craques. Na contramão disso na Europa, surgiram vários talentos espalhados por quase todo o continente, a evolução técnica foi e está sendo muito grande.

É evidente que a maneira de trabalho das federações, Uefa e Conmebol, tem diferenças. A Uefa procura partilhar de forma mais justa o dinheiro que entra com verba de TV e patrocinadores visando direcionar esse recurso para países com menos poder financeiro e onde o futebol precisa de maior evolução. Na última Copa do Mundo podemos ver o resultado dessa política onde a Islândia pode participar pela primeira vez do torneio.

Um sintoma nítido desse domínio e evolução dos gringos é que nunca se viu e se vê falar tanto que clubes brasileiros precisam de técnicos estrangeiros para evoluir seu modo de jogar, sua tática e seus resultados. Já há quem queira Jorge Jesus, atual treinador do Flamengo, no comando da nossa seleção canarinho. Nessa mesma linha o Santos trouxe Jesualdo Ferreira, outro português com esse mesmo pensamento.

Bom, para que possamos melhorar o nosso desempenho, o futebol sul americano precisa pensar primeiramente na base; tratar os nossos talentos com um plano de carreira que priorize uma filosofia de jogo, a formação do atleta, o trato com os empresário de atletas… resumindo, é um momento de reflexão, de um olhar para dentro, pois para quem quer voltar ao topo é preciso fazer algo.