Os mais velhos devem lembrar de como o futebol brasileiro era temido antigamente. Essa geração “Millennialz” e “Geração Z” tiveram um gosto disso com a época de Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano, mas isso parece que foi há muito tempo.

Hoje o Brasil amarga época de vacas magras. Nada de específico contra quem veste a amarelinha. Tem bons jogadores, tem craques. E não dá pra manter uma geração de gênios em profusão constante. Tem como fazer bonito com a seleção atual, mas é muito claro que o Brasil não mete mais medo em ninguém num jogo de futebol. Todo mundo acha que dá, e o pior é que dá.

Mas por que chegamos a esse ponto? Foi o famigerado 7 a 1? Foram as aposentadorias dos Ronaldos? Dunga técnico? Eu acredito em algo muito mais grave do que isso tudo.

Olha, o tempo muda, as coisas mudam, e isso é normal. Eu sou tão saudoso do futebol dos anos 90 quanto meu tio é dos anos 80. Mas de uns tempos pra cá, os outros países aprenderam a olhar para suas categorias de base e ter um plano, o que esperar dos jogadores que estavam em formação. Aqui no Brasil, entramos na ânsia de exportar jogador como outro produto qualquer.

Jogador brasileiro de alto nível se forma sem se identificar com o futebol do país. Sai de um estilo de jogo do gingado pra aprender a “ocupar espaços” nas ligas européias. Sai cedo. E deixa nosso futebol aqui, carente.

Quem nunca olhou para aquele garoto promissor no estadual e desejou que ele não brilhasse muito, só o suficiente pra vencer os clássicos. Porque se brilhar demais, na janela seguinte vai embora. E nesses vácuos surge uma criatura que está derrubando o futebol nacional. O técnico que se acha.

Dei toda essa volta pra dar minha opinião.
Muitos técnicos no Brasil acham que são as reais estrelas de suas equipes, que cada vitória se deve uma grande parcela a eles, mas a derrota é culpa do fraco material humano. Tentam dar ares do velho continente as suas equipes com uma rotatividade de jogadores e táticas complexas nunca antes vistas pelos jogadores nas categorias de base, e sem o cacife ou caguete pra ensinar. E aí vivemos essa época de diminuição do talento brasileiro em detrimento da supervalorização da tática e treinadores. O problema não é a categoria, mas como ela se apresenta e o que esperam dela.

Eu não vou pedir, hoje, pro futebol de antigamente voltar. Águas passadas não movem moinho, disse minha mãe uma vez aí. Mas seria muito bom, seria muito legal, se técnico no Brasil fosse um pouco mais um jogador de futebol. Hoje no país, vejo poucos técnicos assim, que entendem o que esperar do seu elenco, e estimulam o que a gente sempre espera de um time de brasileiros. Só “Jesus” na causa.

Eu acredito que tem salvação. Já que estão de quarentena com o bolso cheio, quem manda no futebol podia aproveitar para repensar muitas coisas. Quem sabe eles tem um sonho, e a canarinho volta a ser um pesadelo pros adversários e uma alegria de se assistir!

Uma boa quarentena a todos. Fiquem em casa como o futebol de alguns times da série A. Passaremos por mais essa.