Então são agora 122 anos de história. História essa das mais belas do futebol mundial. Clube suburbano, com cara de Rio de Janeiro que se transformava.

Criado na zona norte de uma cidade que brincava de ser um pingo de Europa na América do Sul, o Vasco nasceu para oferecer futebol aos desprivilegiados. Longe dos clubes elitistas da zona sul, o Vasco mostrava o encanto da bola para imigrantes, negros, operários, e seus familiares sem chamar atenção da nobreza carioca. Isso não durou muito tempo.

O Vasco mostrava seu destino rumo ao status de gigante quando passou a fazer frente aos times dos privilegiados da zona sul. Único nesse quesito. Os jornalistas que escreviam sobre futebol viam um time do outro lado da cidade desafiar de verdade seus clubes do coração e vencer. O Vasco começou vencendo amistosos. Isso não podia ser permitido, pois o Vasco não era registrado. Que não fosse por isso, e o Vasco se registrou. Outros clubes sem registro não sofreram essa cobrança, mas tudo bem. O caminho para a grandeza é mesmo turbulento.

Daí o Vasco não podia jogar por não ter um campo para chamar de seu. Não fosse por isso. O Vasco conseguiu seu campo emprestado. Vencer divisões e chegar na elite não demorou. Foi rápido. Vasco vencia finais de goleada, mas quando chegou por suas próprias pernas, e as de seus associados, foi proibido de jogar por considerar que seu time devia ser inclusivo. No Vasco jogavam pretos, brancos, portugueses, mulatos e brasileiros, todos como iguais. A única exigência era saber jogar futebol, e isso eles sabiam.

Anos sem disputas oficiais, e o Vasco ainda assim ostenta tantas taças e títulos entre os maiores vencedores do país. É para quem é gigante!

Para jogar na liga unificada, o Vasco contou com os seus. O dinheiro e o trabalho para erguer São Januário veio desse amor e relação com a torcida. Criaram o maior estádio da América Latina na época como resposta a um pré-requisito. Isso, repito, é só para quem é gigante!

O Vasco não vive um momento histórico tão glorioso como acostumou seus torcedores. Mas, vencer obstáculos, quase que o tempo todo impostos pelos que não entendem o seu tamanho e importância, já é um ato padrão do gigante da colina. Parabéns pelos 122 anos de grandeza e de encanto para tantos corações. Nós te amamos. E como diria o poeta: Vasco!